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Gastronomia| 12 de fevereiro de 2015 | 6h 59

Quem são os empresários que sobreviveram à moda do brigadeiro gourmet

Foco não apenas no varejo, fortalecimento da marca e comercialização de outros produtos estão entre as principais estratégias

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

Aproveitar uma onda de consumo pode ser uma estratégia certeira para chegar ao sucesso do negócio próprio, desde que feita no momento e da forma seguros. Geralmente, são negócios que envolvem a comercialização de apenas um produto e têm um período de grande procura, que  tende a arrefecer com o tempo. As paletas mexicanas são o exemplo do momento, mas produtos como açaí e temaki já figuraram na preferência do momento. Em 2010, a onda da vez eram os brigadeiros gourmet.

Roberto Seba/Estadão Conteúdo
Roberto Seba/Estadão Conteúdo
Brigadeiros gourmet se tornaram febre em 2010

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Ainda hoje, é possível encontrar lojas especializadas na forma requintada do doce, mas a oferta diminuiu consideravelmente. O fenômeno fez com que os brigadeiros abandonassem o papel de coadjuvantes em festas de crianças e caíssem no gosto do público-alvo do raio gourmetizador, mas o campo de atuação de quem investiu nesse negócio precisou ser ampliado para garantir sua sobrevivência.

“Esse tipo de fenômeno é tradicional, toda hora existe uma onda que dura uma temporada. Mas não há demanda para todo mundo. Quem fica é quem se estruturou melhor e percebeu que precisa oferecer algum diferencial”, explica o especialista em Marketing da ESPM Marcelo Pontes. Para o analista, investir em brigadeiro foi ainda mais sedutor por envolver um produto de simples preparo e que pode ser vendido em lojas de espaço reduzido.

Alguns empresários entenderam o diferencial apontado por Pontes e conseguiram consolidar seus negócios com foco no brigadeiro. É o caso de Bila Amaral, que em 2010 investiu na Brigadíssimo, uma doçaria especializada na guloseima. Ele conta que a ideia era abrir um negócio durável, portanto solidificou sua marca e ampliou a área de atuação para não depender apenas do varejo.

"Qualquer um fazia qualquer coisa e chamava de brigadeiro gourmet. Percebemos que algumas lojas estavam perdendo o foco, descuidando da qualidade. Para não ser visto pelo cliente da mesma forma, fomos buscar o mercado corporativo”, explica. Hoje, a Brigadíssimo atende empresas como Fox, Johnson & Johnson e Starbucks. “Começamos a fazer sob demanda, com desperdício zero e crescimento orgânico. Hoje, o mercado corporativo compõe 80% dos clientes.”

Para Amaral, o segredo do sucesso é a profissionalização. “Não adianta abrir uma empresa fazendo conta de padaria. Brigadeiro não é só leite condensado, chocolate em pó e manteiga. Há, além de todos os gastos, as obrigações legais. Você vira sócio majoritário do governo, de tanto imposto”, reflete o empresário que hoje vende cerca de 40 mil brigadeiros ao mês. .

A empresária Carolina Sales decidiu adotar uma estratégia ainda mais ousada e criou o brigadeiro congelado, hoje carro-chefe da Pâtisserie de Brigadeiros, no Rio de Janeiro, que faturou 1,5 milhões em 2014. Formada em medicina, a empresária começou a vender brigadeiros gourmet em 2010, para incrementar a renda mensal.

“No Rio de Janeiro, não havia muitos recursos nem nenhum lugar especializado. Eu viajava até São Paulo para trazer produtos de maior qualidade. Logo a produção em casa precisou se profissionalizar. Tive um pouco de resistência, as pessoas não entendiam o que eu falava, nem meu produto”, relata.

O brigadeiro congelado nasceu com a ideia de fazer um doce refrescante para o calor do Rio de Janeiro. A empresária percebeu que a textura do brigadeiro não se altera muito e resolveu testá-lo em alguns pontos de venda. O sucesso foi tão grande que Carolina firmou um contrato de exclusividade com uma rede de supermercados carioca.

Também na capital fluminense, Flávio e Renata Fontoura são donos do Ateliê Brigadeiro Carioca. Além de uma loja, a dupla comercializa brigadeiros em três carrinhos espalhados pelo centro da capital. No auge do sucesso, os empresários chegaram a ter três lojas e 15 carrinhos. A concorrência e o esgotamento da demanda são as principais razões para a retração.

“Nosso preço não é dos mais baratos, mas nosso produto é de primeiríssima qualidade. Nossa maior propaganda é o boca a boca, as pessoas chegam até a gente por causa do brigadeiro e então conhecem os outros produtos”, explica Flávio. Os carrinhos chegam a vender, cada um, uma média de 500 brigadeiros todos os dias.

Para aqueles que acreditam no negócio, o especialista Marcelo Pontes aconselha: “Busque um diferencia  que seja completo e inclua a marca. Se a marca fala 'brigadeiro' e o empresário resolve fazer empanada depois de um tempo, já há um problema. Fazer o brigadeiro em casa não é plano de negócios, é preciso buscar entidades que apoiam startups, o investimento nesses negócios é muito alto”.

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