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Negócios| 17 de junho de 2014 | 6h 54

Motoboys entram no radar das empresas de tecnologia

Aplicativos para celular, a exemplo dos que fazem agendamento de táxi, ganham espaço no setor de entregas rápidas

Renato Oselame, Estadão PME

Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão
Caio Cocozza investiu R$ 500 mil do próprio bolso para montar a FindMotoboy

Na esteira dos aplicativos que se valem dos smartphones para facilitar a contratação de serviços, como os de agendamento de táxi e para delivery de refeições, agora é o mercado de entregas por motoboys que parece entrar no radar dos empresários de tecnologia.

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Nos últimos meses, pelo menos três operações foram lançadas no País, algumas com aportes consideráveis de investidores. As iniciativas servem-se do mesmo princípio dos aplicativos de serviços já estabelecidos. Com um cadastro básico, o cliente entra em contato com os motoboys mais próximos e fecha o negócio. As empresas geram receita cobrando uma taxa dos entregadores.

Uma das que puxou a fila do serviço é a VaiMoto, em operação desde outubro de 2013. Segundo o fundador Daniel Muniz Silva, o negócio se expande rapidamente. “Crescemos três dígitos por mês" diz ele, que já conta com 35 mil usuários na plataforma. Para sair do papel, a empresa contou com aporte de R$ 2 milhões da BR Motorsport, importadora de equipamentos para motociclistas. A VaiMoto estima que até o fim do ano terá um desempenho de 20 mil entregas mensais na grande São Paulo. Com uma taxa cobrada de R$ 1,99 por encomenda, a expectativa é de que, se confirmada essa projeção, a empresa feche o ano com um faturamento mensal de R$ 39,8 mil.

A FindMotoboy é uma das concorrentes da VaiMoto. Caio Cocozza, sócia da empresa, investiu R$ 500 mil do próprio bolso na plataforma. “Geramos economia de tempo e de dinheiro, que pode chegar a 25% do valor do frete tradicional”, garante ele, que busca equilibrar a demanda de usuários e a oferta de motoboys. “Não adianta termos motofretistas demais, porque você desmotiva seu principal colaborador. O inverso também é ruim, porque o cliente se frustra”, explica Cocozza.

A Rapiddo, outra que atua no nicho, passou a operar um modelo similar após Guilherme Bonifácio observar a demanda na área. Ele mantinha um delivery de alimentos com atuação em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, o Disk Cook. Como já dominava a tecnologia de geolocalização por conexão móvel, o empresário, que sentia na própria pele a carência nesse segmento de entregas rápidas, decidiu investir. “Desenvolvemos uma ferramenta que poderia ser lançada com uma outra marca, para outras empresas e usuários”, explica.

Bem como a VaiMoto, a Rapiddo recebeu um aporte financeiro. Foram R$ 4 milhões da Movile, uma empresa de Campinas especializada em aplicativos para celulares. Muito em virtude do aporte, Bonifácio diz não estar preocupado com o faturamento, sobretudo nesta etapa inicial. “O que queremos agora é realizar o serviço da melhor forma possível”, esclarece.

Desafios.

O professor André Lemos, da Universidade Federal da Bahia e especialista em mídias locativas, considera que esse é um mercado que tende a se expandir. Para isso, contudo, são necessárias melhorias nas tecnologias de conexão móvel. “No Brasil e no mundo, há uma possibilidade de crescimento muito grande. Mas sem uma conexão 3G boa, barata e confiável, torna-se difícil utilizar esses serviços”, explica. Lemos também sublinha a importância de estabelecer uma relação de familiaridade entre usuários e aplicativos. “Eles têm que ter funcionalidade e uma interface que intuitiva para o uso.”

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