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Cenário 2015| 28 de janeiro de 2015 | 7h 08

Indústria sofre, mas pode se recuperar

Sinalizações recentes dadas ao mercado pela nova equipe econômica da presidente Dilma animam especialistas

Renato Jakitas e Gisele Tamamar, Estadão PME

O anúncio de reajustes nos impostos de importação e de energia automaticamente limitam a capacidade de investimento da indústria, que já sofre com perdas – em 2014, até novembro, a produção da indústria acumulava queda de 3,2%, segundo o último dado divulgado pelo IBGE.

Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão
Para Dimitri Ivanoff, o segmento, durante muito tempo, foi deixado de lado pelo governo

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No entanto, algumas sinalizações mandadas ao mercado pela nova equipe econômica animam parte dos especialistas, que enxergam um futuro de médio a longo prazos um pouco mais promissor para o setor do que o passado recente.

Mesmo assim, na semana passada, o governo anunciou o aumento para 11,75% na alíquota de PIS/Cofins a partir de junho. Atualmente, e até maio, a alíquota cobrada é de 9,25%. No que se refere à energia, o governo optou por cortar os subsídios que seguravam os preços das contas de luz. A mudança garantirá uma economia de R$ 9 bilhões ao Tesouro apenas neste ano.

“A indústria teve problemas com uma política de prioridade às commodities. Mas eu tenho a impressão de que, se mantida a política de desvalorização monetária, ela vai sofrer muito em 2015, também bastante em 2016 e começar a se recuperar em 2017 e 2018”, aponta Guilherme Mello, professor de economia da Unicamp.

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A estimativa do especialista soa como um alento para Dimitri Ivanoff, sócio, ao lado da mulher, da Oscar Flues, uma fábrica de impressoras tampográficas, que grava, por exemplo, logomarcas ou textos informativos em plástico e madeira.
Com faturamento anual na casa dos R$ 12 milhões, o empreendedor tem sido crítico da política adotada pelo governo para as empresas que atuam, com tanta dificuldade, no segmento. “Ficamos muito tempo pensando em commodities e a indústria foi sendo deixada de lado”, desabafa.

Dimitri tem experiência no setor: está na linha de sucessão de uma empresa criada em 1911. “Nós reduzimos muito de tamanho para continuar a operação. No passado, vendíamos impressoras gráficas que importávamos, mas esse mercado na década de 1970 era impossível. Então, passamos a fabricar impressoras tampográficas e vendemos para grandes empresas”, afirma.

Expectativa. Outra que espera por mudanças no setor é a Angelus, que atua na área odontológica e exporta 50% de sua produção atual. Por isso, o fundador da empresa, Roberto Alcântara, diz que se beneficia com a desvalorização cambial, que deixa o dólar mais caro frente ao valor do real. “Mas fomos nos preparando para trabalhar mesmo com o dólar em baixa. Não havia a visão de que a moeda chegaria no patamar que está hoje”, analisa o empreendedor.

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