ESTADÃO PME » » notícias

Negócios| 14 de julho de 2015 | 7h 02

Franquias de calçados estão de olho no exterior

Santa Lolla vai abrir primeira loja no Paraguai e Jorge Bischoff pretende aumentar exportações

Gisele Tamamar, Estadão PME

A cotação do dólar frente ao real tem despertado o interesse das franquias brasileiras de calçados para exportações e inaugurações de lojas em outros países. O caso mais recente é o da Santa Lolla, que inicia a internacionalização da marca em agosto com a abertura da primeira loja em Assunção, no Paraguai.

Fabio Martinez, da Santa Lolla, fez parceria para abrir unidade no Paraguai
Fabio Martinez, da Santa Lolla, fez parceria para abrir unidade no Paraguai
Rafael Arbex/Estadão

::: Saiba tudo sobre :::
Mercado de franquias
O futuro das startups
Grandes empresários
Minha história

A marca foi criada pelos irmãos Fabio, Vanessa e Rubens Martinez, em 2002, depois de uma experiência de oito anos com uma loja multimarcas. Hoje, com 126 lojas e faturamento de R$ 200 milhões, a Santa Lolla vai aproveitar o interesse de um brasileiro residente no Paraguai para levar a marca para fora do Brasil.

O empresário Jorbel Jacson Griebeler se mudou há cinco anos para o Paraguai, onde tem uma empresa de distribuição de celulares e aparelhos eletrônicos. Em busca de um negócio para a mulher Flavia, ele optou pela franquia de calçados.

De acordo com Griebeler, o Paraguai tem um mercado muito interessante, mas é um país pequeno. Por isso, ele acredita que a região tem espaço para três a quatro unidades. O empresário afirma que o país está em pleno crescimento e o Banco Central do Paraguai estima que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 4% este ano.

"O potencial agropecuário é muito forte e o setor industrial está crescendo e chamando a atenção de outras indústrias que estão vindo explorar o que o Paraguai oferece em termos de custo de energia e mão de obra. O país está sendo descoberto pelos brasileiros agora", diz.

A estratégia da Santa Lolla é concentrar as novas inaugurações na América do Sul e deixar a administração sob a responsabilidade dos franqueados. "Hoje não temos estrutura para abrir loja própria. Essa é a grande diferença do franqueado. Ele vive o dia a dia e ajuda muito", afirma Fabio Martinez, que também exporta para lojas multimarcas da América do Sul há um ano e meio.

Os irmãos já receberam até propostas para abrir unidades em Dubai, por exemplo, mas eles avaliam que agora não é momento. "Vamos dar um passo de cada vez e ir aprendendo. Sempre fomos muito pé no chão", conta Fabio, que deve abrir uma operação no Panamá ainda este ano.

A marca nunca participou de feiras de franquias ou focou na expansão da marca. Segundo Fabio, o próprio resultado das lojas atraiu investidores. Para a expansão internacional, os irmãos não têm uma meta a ser atingida. A intenção é crescer sim, mas com cautela.

Potencial. O CEO do Bischoff Creative Group, Jorge Bischoff, já exporta os calçados da marca que leva seu nome para 60 países e está confiante no crescimento dos negócios internacionais. Só no primeiro semestre, a venda para o exterior representou 18% do faturamento. A meta é chegar aos 25% até o fim do ano.

"Convivemos com a moeda desvalorizada durante todo o período de construção da marca e conseguimos vender para 60 países um design diferenciado e elaborado com qualidade", diz Bischoff. Para o empresário, a abertura de uma loja no exterior é uma forma da marca virar referência naquele país. "Continuamos conversando com o nosso consumidor lá fora e automaticamente passamos a ser referência, o que ajuda a criar novos negócios", afirma.

No ano passado, a marca inaugurou duas operações no Uruguai com uma consumidora da marca que virou franqueada. Este ano, a empresa começou a operar no balneário de Varadero, em Cuba. "Acredito que o crescimento virá de forma natural. Vamos participar de mais feiras no exterior e fazer mais ações com parceiros", pontua.

Apesar do potencial do mercado internacional, Bischoff destaca que o negócio tem muito a crescer no Brasil. Hoje são 56 lojas Jorge Bischoff e mais 14 da Loucos&Santos, marca do grupo com apelo mais despojado. Este ano, o grupo quer chegar a 1,7 milhão de pares de sapatos produzidos e mais de 500 mil bolsas e acessórios - aumento de 22% em relação ao ano passado. "O foco é continuar expandindo o número de unidades no País e ter algumas surpresas espalhadas pelo mundo", afirma Bischoff.

Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui