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Tecnologia| 29 de abril de 2015 | 6h 57

Fim de programa para startups é sinal de alerta sobre futuro de incentivos ao setor

Empreendedores ficam apreensivos com os rumos dos programas de apoio mantidos por iniciativas públicas

Renato Jakitas, O Estado de S. Paulo

Nos últimos meses e até algumas semanas atrás as startups contavam no País com três programas de apoio com recursos estatais: o Start-Up Brasil, do governo federal, o Startup Rio, mantido pelo Rio de Janeiro, e o Seed (Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development), de Minas Gerais. Desde o último dia 30 este último não está mais em atividade – pelo menos por enquanto.

Para Lacerda, da aceleradora 21212, estrangeiros discutem o risco de investir no País
Para Lacerda, da aceleradora 21212, estrangeiros discutem o risco de investir no País
Wilton Junior/Estadão

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Considerado o expoente entre as iniciativas públicas de suporte financeiro e estrutural ao empreendedorismo tecnológico, o Seed fechou as portas em um fim de semana, pegando de surpresa o promissor ecossistema de startups local, que se expande no entorno do bairro São Pedro, em Belo Horizonte. A decisão repentina, com direito à mensagem no Facebook e folha de sulfite colada na sede do programa, é tratada por empreendedores como fruto de uma disputa política dentro do governo de Fernando Pimentel (PT).

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Empresários reportam um braço de ferro pelo controle do programa travado entre o secretário de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, e o secretário Miguel Corrêa, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SECTES). O governo, porém, explica o movimento como uma ‘parada técnica’ promovida pela nova gestão que planeja maximizar os retornos do projeto que, desde que foi iniciado, beneficiou 73 startups, sendo que cada uma recebeu até R$ 80 mil em investimentos ao longo dos seis meses de duração de cada ciclo.

“A gente vive uma economia de gastos, que não é de Minas, mas do Brasil, e achamos caro, por exemplo, o aluguel do casarão onde operava o Seed”, afirma Altamir Rôso, que elenca outros pontos. “Apenas 23 startups continuaram aqui no estado depois do programa. Precisamos reavaliar isso”, afirma o secretário, que estima um retorno do projeto em até três meses. “Ainda não sabemos qual secretaria vai abrigar o programa, mas queremos recomeçar logo”, concluiu.

Explicações à parte, a decisão de paralisar a iniciativa foi vista como “extremada” pelo mercado, uma atitude que se não coloca sob suspeita, pelo menos acende uma luz de alerta sobre o futuro do próprio Seed e dos demais projetos públicos de grande porte. Sobretudo em um momento de aperto fiscal e contingenciamento de gastos. “O mercado fica atento e um pouco apreensivo quanto ao futuro desses modelos”, afirmou Talita Lombardi, consultora especializada em startups.

O desgaste à imagem das atuais e futuras iniciativas similares é o pior legado deixado pelo movimento do governo mineiro, na opinião de Frederico Lacerda, fundador da aceleradora carioca 21212. “O caso deles lá em Minas Gerais é com certeza negativo. A gente percebeu que repercutiu bastante no exterior, com o mercado falando sobre o risco da política brasileira”, destaca o empreendedor.

Lacerda lembra dos problemas nos outros dois programas governamentais, como o Start-Up Brasil, que foi alvo de críticas nos últimos tempos devido à falhas na organização e até no repasse da bolsa.

O repasse referente ao exercício de março deveria ter sido depositado na conta dos bolsistas no dia 8 de abril, mas só foi liberado no último dia 20 (o programa concede verba anual de até R$ 200 mil e atende, anualmente, cerca de 100 startups). A responsabilidade por custear os gastos do Start-Up Brasil, que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). “Tivemos um atraso, mas considero ser algo pontual. Não acho que chega a prejudicar a imagem do programa”, garantiu Vitor Andrade, gerente de operações do programa federal.

Início. Já no Startup Rio as queixas se referem ao alcance ainda tímido da iniciativa, que não conseguiu atrair empresas de fora da cidade e, em vias de lançar o edital para o segundo ciclo de 12 meses, trouxe poucos resultados práticos. “Foi o primeiro ano e agora nessa segunda fase queremos melhorar a performance”, afirma o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, Gustavo Tutuca. “Nesse ano, teremos uma queda na arrecadação, mas a verba do programa está mantida como no ano passado”, afirma Otakar Svacina, gestor da Startup Rio.

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