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Encontro PME| 26 de abril de 2013 | 7h 58

Donos revelam o segredo do sucesso da Dafiti, que atrai milhões na internet

Empresários contam detalhes do crescimento da Dafiti e o que desejam fazer para o negócio não perder o pique atual

Renato Jakitas, Estadão PME

Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão
Thibaud Lecuyer (esq.) e Malte Huffmann se reuniram com grupo de pequenos empresários

O sonho de montar um negócio bilionário carregou quatro jovens empreendedores para longe de casa. O francês Thibaud Lecuyer, os alemães Malte Huffmann e Malte Horeyseck e o brasileiro radicado na Europa Philipp Povel atravessaram o Atlântico dois anos atrás e, de lá para cá, se ainda não embolsaram o primeiro bilhão, ergueram a Dafiti, negócio que ocupa um prédio comercial no bairro da Barra Funda, em São Paulo, e emprega 1,3 mil pessoas.

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Inicialmente, a empresa vendia só calçados pela internet. Hoje tem 85 mil produtos de mais de 800 marcas em diversas categorias – roupas, acessórios, produtos de beleza e para casa. Criada em 2011, a marca se define como o maior e-commerce de moda do País e, para provar isso, anuncia receber 50 milhões de visitas mensais em seu site.

“O nosso norte foi fazer uma coisa grande desde o começo. Preparar a companhia para faturar bilhões em pouco tempo, pegando exemplos bem-sucedidos da Alemanha, dos Estados Unidos”, diz Malte Huffmann, que participou do Encontro PME, com pequenos empresários, ao lado do sócio Thibaud Lecuyer. “Tivemos esse desejo de empreender, mas sabemos como estruturar, organizar e viver dentro de um grande mundo. Essa é a nossa grande força. O mercado não depende de qualquer outra coisa, de competição. O sucesso depende apenas do fruto do nosso trabalho”, destaca Lecuyer. Confira a seguir trechos do encontro.
 
Crescimento
Além da plataforma Dafiti, a empresa ainda comanda a Dafiti Sports e a Dafiti Premium. No total, o negócio soma R$ 375 milhões de aporte de investidores internacionais. Questionados sobre o segrego da rápida expansão, associada aos riscos que o fenômeno impõe, Malte e Thibaud dizem que esse ritmo foi planejado e, por isso, os sócios estavam preparados para absorver o impacto.

“É muito importante ter uma visão bem formulada e a nossa visão é a de se tornar o e-commerce de moda e de estilo de vida favorito na América Latina a partir de dois pilares: um portfólio muito abrangente e uma experiência de compra muito boa para o cliente”, destaca Malte. “Com essa visão, todo o resto vem quase que automaticamente”, conclui o empresário.

Thibaud Lecuyer explica que, apesar do processo todo estar alinhado com o plano de negócios do grupo de empreendedores, o desenrolar dos acontecimento obrigou um processo de reflexão e de reorganização da casa para que tudo continuasse a andar bem. “Há dois anos, éramos nós quatro em um quarto de hotel. Depois, nosso primeiro escritório foi na Rua Joaquim Floriano, um escritório de 13 metros quadrados. Todos os nossos funcionários ficavam sentados em uma mesa. Hoje temos sete andares. Tudo isso em dois anos. Nosso esforço no ano passado foi organizar os processos. (Implementamos) uma certa burocracia necessária para liderar esse pessoal todo”, afirma.
 
Burocracia
Mas um ponto ficou fora do planejamento da Dafiti: o volume de autorizações e licenças que a empresa precisaria ter para efetivamente funcionar. Segundo os sócios, depois de tudo acertado, a morosidade para a obtenção da inscrição estadual impediu a inauguração por 15 dias. “(A burocracia) foi nossa principal dificuldade no início. Mais que na contratação de pessoal, que no pagamento dos impostos. Nós abrimos o site no dia 24 de janeiro e não antes porque ficamos esperando a inscrição. Atrasamos mais de 15 dias o lançamento porque não conseguíamos faturar. Os funcionários estavam lá, os produtos estavam lá, o site estava protegido com uma senha para as pessoas não acessarem. Tudo estava pronto, mas legalmente tínhamos esse impedimento”, lembra Lecuyer.

Apesar do contratempo, o empresário vê um lado positivo na história. “A dificuldade traz ganho. Porque se você abrir um site nos Estados Unidos, na Suiça, em Cingapura, onde tudo é muito mais fácil, você não vai ser o primeiro. Quando você lançar a sua ideia vão ter 300 pessoas fazendo isso no dia seguinte. Então, (no Brasil) têm etapas mais difíceis, mas nada que pode impedir você de fazer seu negócio.”
 
 Estoque
A política de aquisição de estoques foi alvo da curiosidade dos pequenos empresários. A Dafiti encampa uma estratégia de investir na aquisição de produtos para garantir a pronta entrega para as dezenas de categorias e centenas de marcas que comercializa. Os convidados quiseram saber se a estratégia não prejudica o lucro. “Isso é dinheiro imobilizado, é custo. E a maioria das empresas não gostam de fazer isso porque é pesado”, concorda Huffmann, que afirma ter mais de 1,4 milhão de peças em depósito. “Temos dois pilares: portfólio e serviço. (A encomenda) tem de estar na casa de um paulista ou de um carioca no dia seguinte do pedido”, analisa.

O empresário diz arcar com o ônus da estratégia, mas a relação custo e benefício compensa. “Antes da gente chegar ao Brasil, as pessoas estavam acostumadas a comprar moda e a brincadeira depois era receber quando elas esqueciam que compraram no site. Porque demoravam 40 dias para receber o produto.”
 
 Mídias sociais
O Facebook também movimentou o interesse dos participantes. A empresa não divulga seus investimentos na rede social, mas afirma que emprega todas as ferramentas promocionais oferecidas – pagas e gratuitas – acreditando que a convergência entre marca e público é alta na rede lançada e administrada por Mark Zuckerberg.

“Temos 3,4 milhões de fãs no Facebook. Obviamente isso é um número bastante alto, mas a ferramenta é quase que ideal, sendo que têm coisas negativas também, para a empresa se relacionarem com os clientes”, conclui Malte Huffmann, como última dica aos empreendedores.

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