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Economia criativa| 29 de outubro de 2014 | 7h 07

Criatividade é alternativa para agregar valor

Especialista no assunto opina sobre os desafios dos empreendedores criativos

Gisele Tamamar, Estadão PME

De um lado, produtos e serviços são cada vez mais parecidos. De outro, dinheiro e tecnologia são mais facilmente transferíveis em escala global. Dentro desse cenário, a criatividade passa a ser vista como um ativo mais importante dentro de uma lógica de agregação de valor, explica a diretora da consultoria Garimpo de Soluções, Ana Carla Fonseca. "É uma alternativa para você brigar em cima de preço e em diferenciação. Esse é o quadro de fundo da economia criativa", explica a economista e urbanista.

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Ana Carla Fonseca é diretora da Garimpo de Soluções

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Segundo Carla, muitos dos setores que fazem parte da economia criativa têm grande participação de micro e pequenas empresas. Isso porque a barreira de entrada é menor, principalmente em função do advento das mídias digitais. Primeiro porque os empreendedores têm processos de criação e transformação em produção facilitado. O segundo ponto é que hoje está mais fácil divulgar e distribuir a produção.

Para a especialista, é preciso criar condições para o empreendedor criativo conseguir concretizar a criatividade em negócio. "Se a gente comparar a célebre frase que brasileiro é criativo (no dia a dia a gente constata isso a cada momento) com os baixíssimos índices de inovação que o país atinge, tem alguma coisa errada. E acho que isso não mudou nos últimos anos", avalia.

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Carla acredita que existem pelo menos três grandes desafios para o avanço da economia criativa no País. O primeiro é a geração de dados. "Se você não tem dados, você acaba não conseguindo fazer um diagnóstico mais preciso do setor. Se não tem diagnóstico, não consegue traçar políticas mais certeiras no seu objetivos e muito menos monitorar seu desenvolvimento", diz.

O segundo envolve a dificuldade de estabelecer uma integração de políticas e o terceiro, acesso ao crédito. "Quem trabalha com ideias, coisas intangíveis, não necessariamente tem acesso a credito por não ter garantias reais", aponta.

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Para a especialista, entre as características do empreendedor criativo se destaca a uma paixão e um grau de satisfação enorme pelo que faz, uma necessidade quase que visceral de conseguir colocar a ideia em prática. "É uma coisa positiva, mas traz um risco embutido dos empreendedores acharem que eles têm uma belíssima ideia e que o negócio vai dar certo e esquecem a parte de gestão do negócio", diz.

A gestão não envolve apenas a parte financeira ou marketing. Os setores criativos envolvem o direito de propriedade intelectual. "Às vezes por desconhecimento os empreendedores criativos não tomam as devidas precauções para se resguardar da cópia, da pirataria ou até de outros registros."

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