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São Paulo| 23 de setembro de 2014 | 6h 40

Com ou sem polêmica, aumento de ciclistas estimula novos negócios em São Paulo

Sócias criam marca de roupa dedicada aos usuários das ‘magrelas’ e café especializado já fatura R$ 50 mil por mês

Gisele Tamamar, Estadão PME

A adesão crescente à bicicleta como meio de transporte em São Paulo abre caminho para novos negócios e deixa otimista os empreendedores que já aposta nesse mercado.  Quando Nina Weingrill e sua mãe Claudia discutiam, há três anos, a possibilidade de criar uma marca de roupas para ciclistas urbanos, a ideia não parecia ser lá muito boa. Mas o lançamento da marca Velô, no mês passado, coincidiu com a ampliação das ciclovias na cidade, o que abre espaço para o negócio prosperar.

Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão
Nina e a sócia Camila apostam na moda para ciclistas urbanos

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Não é para menos. Pesquisa divulgada na semana passada pelo Ibope comprova o interesse crescente pelas bicicletas. O número de pessoas que usam as ‘magrelas’ como meio de transporte cresceu 50% na comparação de 2014 com 2013, passando de 174,1 mil para 261 mil paulistanos. “Fomos muito sortudas. Pensamos nisso há três anos e esse mercado não era tão quente. Apesar das brigas e dos questionamentos, é um movimento que não volta atrás. Não é uma modinha. É uma mudança de visão sobre o espaço público”, diz Nina, que também tem como sócia a estilista Camila Silveira. 

As três sócias contam que investiram R$ 100 mil para lançar a primeira coleção e esperam, com a ação, retorno de R$ 250 mil. Por enquanto, as peças são vendidas apenas na internet, mas o planejamento prevê parcerias com lojas de bicicletas e também com academias.

A ideia da marca foi criar uma coleção com peças para o usuário pedalar na cidade, mas que não precisam ter ‘cara de ciclista’. Nina explica que as roupas são feitas com tecidos tecnológicos, com proteção UV, acabamento que impede a multiplicação de bactérias e têm elasticidade. Elas também têm fitas refletivas e modelagem inteligente, que permite o movimento livre do corpo enquanto o ciclista pedala. A peça mais barata é uma tornozeleira, custa R$ 30, e a mais cara uma capa de chuva que sai por R$ 380. 

Para a professora do curso de empreendedorismo e comunicação no universo da moda da Escola São Paulo, Lívia Salomoni, o desafio da Velô é levar essa causa não só para quem anda de bicicleta. “Naturalmente, o uso da bicicleta será uma prática muito estimulada dentro da cidade e os negócios que estão relacionados ganham com isso, mas o desafio é não ficar restrito às pessoas que já andam de bicicleta. É preciso falar com o público que simpatiza com a causa buscando envolvê-lo em um movimento de educação no trânsito”, diz Lívia.

Outro negócio que tem como foco os ciclistas urbanos é o Aro 27, espaço que une loja, oficina, café e um park and shower – o ciclista pode deixar o veículo estacionado no local e tomar um banho antes de algum compromisso. Depois de um ano com as portas abertas, o proprietário, Fabio Samori, está satisfeito. “O mercado está começando agora, impulsionado pela nova estrutura da cidade. Em um ano, viramos referência”, conta. Samori registra faturamento médio mensal de R$ 50 mil.

Um dos diferenciais do local é o serviço de banho para o ciclista, que terá nova metodologia de cobrança a partir de outubro. No lugar de planos mensais ou banho avulso com toalha, sabonete e xampu por R$ 17, o Aro 27 vai cobrar apenas o banho por R$ 9,90. Quem quiser pode comprar o uso da toalha, xampu e sabonete separados. “Muitos ciclistas já traziam a toalha. Agora vai ficar mais barato.” 

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