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145 anos de quadrinhos| 30 de janeiro de 2014 | 7h 16

Autores de HQs contam como conseguiram obter até R$ 67 mil em site de financiamento coletivo

Produtores superam em até cinco vezes o orçamento mínimo estipulado com dinheiro de apoiadores

Renato Jakitas, Estadão PME

Reprodução
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Rafael Koff deu início à sua sétima produção, a terceira financiada coleticamente pela web

 O gaúcho Rafael Koff acaba de dar inicio aos trabalhos em torno de seu sétimo livro de histórias em quadrinhos,  todos eles tocados sem o suporte de uma editora especializada. Não adianta perguntar porque ele não vai contar o título do trabalho nem detalhes do tema abordado. O que se sabe a respeito da obra é o de sempre: que vai sair impressa em formato de tirinhas de bolso e será custeada por meio de um site de financiamento coletivo, modalidade de captação de recursos que Koff descobriu há três anos e que, ele conta, resolveu seus problemas do ponto de vista de alavancagem.

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"Eu tenho o projeto de escrever um livro por ano e não quero trabalhar com uma editora. Eu sempre fiquei feliz  mantendo independente meu negócio, sem influências. Bom, as pessoas me financiam, mas eu faço exatamente do jeito que eu quero", afirma Rafael Koff, que reveza-se entre a atividade de cartunita e de publicitário.

Foi desse jeito, requisitando o suporte financeiro de apoiadores pela internet, que ele publicou no ano passado seu último HQ, o "Cuecas por Cima das Calças", paródia sobre os super-heróis da Marvel e que propiciou ao gaúcho um lucro de R$ 10 mil, já descontando os custos com a produção e o envio das encomendas.

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"Meu plano era de levantar R$ 5 mil, mas alcancei 500% mais", afirma Koff, que atraiu 661 apoiadores e embolsou R$ 26.113. "Não é uma relação só de venda e compra. Tem uma troca maior entre a gente (escritor e apoiadores).

O bom resultado alcançado por Rafael Koff chama a atenção para essa nova modalidade de captação de recursos. Para se apresentar aos leitores, driblar o filtro dos editores ou até mesmo chamar a atenção de livrarias e casas especializadas, escritores e cartunistas têm cada vez mais recorrido ao financiamento coletivo pela internet, expediente originalmente destinado à alavancagem de designers e pequenos inventores, mas que se consolida entre produtores independentes de cultura.

Nos Estados Unidos, um único site do tipo, o Kickstarter, tem no momento 3.534 projetos de HQs em busca de apoiadores. Aqui no Brasil, o principal representante do gênero é o Catarse, lançado há três anos, que além de nomes novos no mercado, também tem atraído profissionais com relativa bagagem.

De volta às origens. Aos 33 anos de idade, Fabio Yabu é um escritor paulista que começou a trilhar sua carreira aos 17 anos, quando criou o HQ "Combo Rangers", inspirado nos heróis dos mangás. De 1998 a 2003, ele chegou a publicar 25 edições do livro, então editado por grandes selos do mercado, como Panini e JBC. No ano passado, Yabu decidiu retomar a série, mas para não investir dinheiro do bolso, colocou o projeto na internet, com a expectativa de captar R$ 40 mil. Conseguiu R$ 67.940.

"Foi um resultado muito legal. Acabou que ampliei a tiragem para 10 mil e publiquei um segundo volume", explica Yabu, que além dos HQs também escreve livros de prosa e assina um desenho infantil, "Princesas do mar", no canal de TV à cabo Discovery Kids. "Eu vinha acompanhando essa tendência de crowdfunding mais como apoiador mesmo. Foi minha primeira experiência como produtor. Quero, agora, ver se com o dinheiro que consegui eu sou capaz de realimentar o negócio e, assim, manter o 'Combo Rangers'."

Calouro. O santista André Alonso, por sua vez, é estreante no mundo dos HQs. Fã do gênero, ele tinha o sonho de assinar uma publicação. Escreveu um roteiro e passou a analisar o trabalho de artistas na em sites especializados na internet. Arregimentou quatro profissionais e aplicou R$ 5 mil para que produzissem 30% de Egum, livro que acompanha as trajetória de um político corrupto em vida e, inclusive, depois dela.

"Quando já estava com uma parte do material pronto, gravei um vídeo e coloquei no site de financiamento, para ver se conseguia o dinheiro para a conclusão", lembra André, que dos R$ 24 mil esperados, alcançou R$ 28 mil, com 357 apoiadores. "Agora estou concluindo o Egum e já planejo outros projetos", diz o santista que inclusive largou um trabalho na área de exportação de café para se dedicar à nova atividade. "Minha ideia é fechar com alguma editora e ver se consigo entrar nesse mercado editorial. Ainda estou (numa fase) paralela entre hobby e profissão. Eu ainda não sei definir, vou saber daqui há alguns anos."

Acompanhe o vídeo de Rafael Koff:

Assista, agora, o de André Alonso:

E, por fim, o de Fabio Yabu:

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