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Startup| 30 de dezembro de 2014 | 10h 35

Americano tenta lançar uma nova rede social em São Paulo

Criador do Kickoff aposta em modelo já adotado no exterior; ideia é conectar pessoas que tenham amigos em comum

Renato Jakitas, Estadão PME

Desde que a revista The Economist classificou o Brasil como um paraíso para as mídias sociais, jovens antenados em tecnologia pelo mundo colocaram o País em seu radar empreendedor. Mas, observando o desempenho das iniciativas até então encampadas, a verdade é que muito pouca coisa pegou, de fato, por aqui, com exceção aos já considerados clássicos do ramo: Facebook, WhatsApp, Linkedin, Tinder e Instagram.

Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão
Ricardo Glaz (E) é parceiro de Spencer no negócio

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Mas o norte-americano Clayton Spencer está disposto a desafiar essa escrita. Ele colocou em operação há três semanas o Kickoff, um aplicativo para smartphones que apresenta ao usuário os amigos de seus amigos, algo que já fez no passado o Path, uma rede que nasceu promissora, mas que perdeu relevância e, no Brasil, jamais conquistou os internautas.

Apesar de não gostar da comparação, o aplicativo está entre o Tinder e o Facebook. Faz parte da lista dos programas apelidados como “so-mo” (social-mobile), que integram características de redes sociais, como o compartilhamento de informações dos usuários e os serviços de geolocalização.

Em suma, ele apresenta uma lista de contatos relacionados aos amigos com perfil na rede social. “A gente aposta em um ambiente de relacionamento marcado pela segurança. Os contatos são apresentados para o usuário com o atestado de segurança de seu amigo”, afirma Spencer, que está há um ano envolvido com a startup. Nos últimos meses ele colocou o aplicativo no ar no Texas, onde mora, para testar sua operação.

“Nós rodamos testes para acertar a operação e colocá-la em funcionamento numa cidade com 20 milhões de habitantes, que é São Paulo. Neste primeiro momento, vamos focar apenas aqui. Depois, daqui a uns três ou seis meses, vamos expandir para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e outras regiões”, diz, ao acrescentar que se surpreendeu com o número inicial do negócio. “Em duas semanas, a gente já tem 10 mil perfis no Kickoff”, afirma.

Respaldado por um grupo de investidores “anjo”, Spencer não revela o aporte inicial para o aplicativo – “gira em torno de seis dígitos em dólares”. Ele conta com suporte técnico e estratégico de Ricardo Glaz, criador do e-commerce Basico.com, que responde como sócio.

“Comecei a ouvir falar do Brasil em Stanford (Universidade de Stanford, na Califórnia), onde fiz meu MBA. O Brasil estava crescendo muito naquela época, todos falavam dos mercados emergentes. Vivi por um período aqui, trabalhando muitas horas por dia, mas fiz muitos amigos e gostei do País”, conta o empresário, que atuou como sócio da Marlin Investimentos e, antes disso, trabalhou na CIC Partners e foi analista por dois anos do Citigroup, ambos nos Estados Unidos.

Perspectivas. Para o especialista em mídias sociais Gabriel Borges, CEO da Ampfy, o aplicativo lançado pelo empreendedor norte-americano chama a atenção pela similaridade com outro em operação no mercado, o Highlight, ainda desconhecido do brasileiro.
“É uma proposta que tem bastante a ver com o Highlight. É uma promessa muito parecida com esse aplicativo que foi eleito o aplicativo do ano em 2012 pelo festival South by Southwest”, conta.

Fundada pelos engenheiros norte-americanos Paul Davison e Ben Garrett, a startup de São Francisco, basicamente, conecta pessoas desconhecidas que estejam geograficamente próximas e que tenham interesses em comum ou são amigos de amigos do usuário.
“O grande desafio de qualquer rede social inicialmente é criar uma massa crítica de usuários suficiente para as pessoas terem interesse em utilizar a rede. Eu costumo brincar que rede social com poucos usuários é igual a um bar vazio. Até funciona, mas é muito sem graça”, opina. “Eu não consigo ver, de início, nenhuma grande novidade no Kickoff, mas precisamos esperar um pouco”, afirmou Gabriel Borges.

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