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Negócios| 09 de outubro de 2012 | 6h 30

Agência de empregos aposta nas classes populares para crescer e ganhar espaço

Empresa criada em 2003 nasceu com R$ 5 mil, mas acaba de receber aporte de um grupo de investidores

Renato Jakitas, Estadão PME

Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE
Silvio teve a ideia de montar o negócio quando começou a vislumbrar uma guinada na economia

Dois ex-professores de informática investiram, em 2003, R$ 5 mil na criação de uma agência de emprego popular, voltada para oportunidades de “chão de fábrica”, no interior do estado de São Paulo. Nove anos depois, eles atraíram um grupo de investidores, decidiram franquear o negócio e, agora, estimam faturar seu primeiro milhão até dezembro.

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O foco do Balcão de Empregos.com é o mercado de trabalho para candidatos das classes D e E em busca de vagas operacionais e que gravitem em torno do salário mínimo. São oportunidades como auxiliares de construção civil, balconistas, operadores de caixa e atendentes de telemarketing. Um tipo de mão de obra que, segundo os empresários, não acompanha o movimento de “virtualização” dos processos seletivos.

“Embora a internet esteja cada vez mais nas casas da população de baixa renda, é uma ilusão achar que o nosso público vai entrar em um site e cadastrar um currículo inteiro lá. Nosso negócio tem feito sucesso porque, desde o início, a gente recebe o trabalhador em um centro de atendimento, transcreve uma ficha que ele preencheu para o computador e se encarrega de distribuir o currículo para as nossas vagas captadas”, afirma o empresário Silvio Ferreira de Souza, dono da empresa. “Se a pessoa não precisar desse suporte para iniciar na internet, temos uma operação tradicional, onde ela cadastra e gerencia o currículo sozinha pela web, como fazem as outras empresas.”

Ao lado do sócio Carlos Alberto Krause, que conheceu quando dava aulas em uma escola de informática na cidade de São João da Boa Vista – na fronteira paulista com o estado de Minas Gerais –, Silvio teve a ideia de montar a operação quando começou a vislumbrar uma guinada na economia.

“Quando começamos, o desemprego era de 19%, hoje é por volta de 6%. A gente sabia que apostar em serviços para o público C, D e E seria um bom negócio”, afirma Krause, que há um ano optou pelo franchising para pavimentar a expansão da empresa.

Eles investiram R$ 250 mil no processo, com planos de chegar a 10 unidades até o final deste ano e 35 em 2013. “Estamos com cinco unidades, quatro delas franquias no interior do Estado.”, destaca Souza, que em dezembro do ano passado fechou um contrato de investimento de dez anos com um fundo nacional especializado em empresas que atuam com consumidores de baixa renda, o Vox Capital. “Com mais dinheiro no caixa, saltamos de sete para 22 funcionários e, agora, planejamos agregar serviços para, aos poucos, migrarmos de agência de empregos para uma operadora de recursos humanos”, afirma Silvio Souza.

Assinatura. Essa migração é uma tentativa da empresa ampliar as receitas. Isso porque o modelo comercial da Balcão de Empregos.com ainda não cobra pelos serviços prestados às empresas, apenas do  candidato, que hoje paga R$ 45 para uma assinatura mensal no seviço híbrido e R$ 90 para um plano semestral.

Para Elaine Saad, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), o sistema de negócio atual da empresa - embora em expansão no Brasil -, restringe seu raio de atuação. “Geralmente, as empresas que se utilizam desse modelo para contratações, onde o investimento é feito pelo candidato, são pequenos e médios negócios. As contratantes de grande porte preferem contar com agências de recursos humanos que não cobram nada do trabalhador”, destaca a especialista.

Mas a ideia de cobrar do candidato, da empresa ou mesmo dos dois (como planeja a Balcão de Emprego.com), é interessante. Pelo menos para André Friedheim, sócio-diretor da Francap, consultoria especializada em franquias. Para ele, o trunfo dos sócios foi prestar serviços para um público que observa o desembolso em formação e recolocação profissional como algo aspiracional. “Eu vejo esse tipo de consumidor investindo em cursos e muito atento ao mercado de trabalho. Não conheço nenhuma agência de emprego com esse posicionamento. O campo para crescer nessa área é grande”, destaca. 

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