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Mercado| 17 de setembro de 2013 | 6h 44

Açougue muda para agradar o cliente e se transforma em butique de carnes

Lojas apostam em ambiente diferenciado, cortes especiais e atendimento personalizado

RODRIGO REZENDE

Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão
Ricardo aposta em cortes especiais

 O açougue está se transformando para oferecer um ambiente mais agradável ao cliente, cada vez mais exigente, diversidade de produtos e atendimento personalizado. Essa  estratégia pretende fortalecer as pequenas empresas diante da concorrência dos supermercados.

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“Os açougues perceberam que para sobreviver precisam se diferenciar no serviço, agregando valor ao produto”, diz Manuel Henrique Faria Ramos, presidente do Sindicato de Comércio Varejista de Carnes Frescas do Estado de São Paulo. “Essa não é uma tendência abstrata, é uma realidade, quem não seguir corre o risco de fechar as portas”, afirma.

A modernização, conta Ramos, é necessária para os açougues instalados em bairros com moradores cujo poder aquisitivo é maior, mas também é importante para os estabelecimentos que funcionam em regiões mais populares. “Ele (consumidor de baixa renda) não tem o dinheiro no bolso, capacidade de comprar, mas tem o desejo.”

De acordo com o sindicato, existem no Estado de São Paulo em torno de 17 mil açougues. Desse total, perto de 80% faturam até R$ 240 mil e apenas 2% ultrapassam os R$ 2 milhões.

Exemplos. O açougue Santa Bárbara, que funciona há 30 anos no Morumbi, em São Paulo, seguiu pelo  caminho da modernização. Muito em função da percepção do proprietário do estabelecimento, Sydney Moreira. “A gente vende carne de qualidade e prestação de serviços. Quanto mais opções tivermos, mais clientes vamos ter”, diz. A loja comercializa entre 12 e 14 toneladas de carnes por mês, incluindo cortes especiais e produtos importados da Argentina, Austrália, Nova Zelândia e Japão.

“Mas (para dar certo) não é só ter loja bonita, tem que ter os melhores produtos e o melhor atendimento”, alerta Moreira. “Dono de açougue que não se modernizar vai parar no tempo. Açougue pequeno é só na periferia e mesmo lá eles precisam mudar pois as pessoas agora estão mais exigentes.”

Outro empreendedor que tem experiência na área é Ricardo Gabriel, dono do Prime Beef, localizado em Moema, também na capital paulista. A loja enquadra-se no que o mercado convencionou chamar de açougue gourmet ou butique de carne.

A aposta em cortes especiais e também na importação de produtos deu resultado – o negócio já ocupa um imóvel maior em relação ao início do empreendimento, cinco anos atrás, e Gabriel estrutura o crescimento da empresa por meio de franquias. Além da venda direta ao consumidor, o Prime Beef também organiza cursos que ensinam a preparar o churrasco. “Tivemos alunos que gostaram tanto que abriram suas lojas próprias”, conta.

Design. Maria Elvira Rosete, do curso de Design de Interiores do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, acredita que o movimento de modernização das instalações dos açougues é natural e semelhante ao que ocorreu no passado com as padarias: proporcionar mais conforto e bem-estar ao consumidor. “O ambiente do açougue deve ser limpo, mas não precisa ser inóspito, todo branco”, diz Maria. “Hoje, temos diversos materiais de revestimento que imitam cimento queimado e madeira, por exemplo. Há quem pense que para ter um design diferenciado é preciso  muito dinheiro e sofisticação, mas não é isso, é possível encontrar um bom profissional para pensar isso de acordo com o orçamento que a loja tem.”

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