Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

WeWork propõe alterações no layout de escritórios compartilhados

Rede global de coworkings, que possui unidades em São Paulo, propõe redução de capacidade em salas de reunião, nova disposição de móveis e estações de higienização

Jena McGregor, The Washington Post

13 de abril de 2020 | 06h02

WASHINGTON - A WeWork, empresa de escritórios compartilhados, está planejando alterar seus espaços de trabalho no mundo pós-coronavírus, propondo novos modelos de disposição de móveis, adicionando recursos de higienização e alterando os fluxos de tráfego dos escritórios. Rede de coworkings, a WeWork tem 600 endereços em 33 países, sendo ao menos 10 unidades dentro da capital paulista.

Em um e-mail para corretores e outros clientes do setor, o presidente-executivo Sandeep Mathrani disse que a empresa publicará novas sinalizações de capacidade para salas de reuniões, aplicando "em algumas delas" limitações de ocupações em mesas particulares e enfatizando a limpeza dos ambientes, além de adicionar estações de higienização em espaços comuns. As ideias começarão a ser implementadas nas próximas seis semanas, ele escreveu. O e-mail foi publicado pela primeira vez pelo site Axios.

"Embora não tenhamos certeza do impacto a longo prazo que a covid-19 terá, não há dúvida de que nossa reinserção no local de trabalho exigirá uma ênfase maior no distanciamento profissional - fornecendo produtos, design e serviços que nos preparam para um ambiente pós-covid-19", escreveu Mathrani.

Mesmo que a maioria dos trabalhadores que geralmente usam espaços de coworking tenha passado a trabalhar em casa, todas as instalações da WeWork nos Estados Unidos e no Canadá permanecem abertas em meio à pandemia, de acordo com o site da empresa, já que alguns clientes fornecem negócios essenciais ou precisam dos serviços do edifício, disse o presidente Marcelo Claure em comunicado. A empresa, cujos clientes incluem freelancers, pequenas empresas e grandes corporações, implementou uma política de trabalho em casa para os funcionários da WeWork, além de oferecer bônus de US$ 100 por dia aos trabalhadores que trabalham nas instalações da empresa.

O documento reflete vários prováveis efeitos a longo prazo da pandemia, como uma expansão no número de pessoas que trabalham em casa, uma redução esperada das necessidades de espaço para escritórios em uma economia prejudicada e maiores preocupações com a saúde ao usar espaços de trabalho compartilhados.

A WeWork está saindo de um ano conturbado que incluiu uma oferta pública inicial que acabou sendo cancelada. A empresa disse em 26 de março que não espera atingir suas metas financeiras para 2020. E, após a informação ser publicada na mídia, a porta-voz da WeWork, Nicole Sizemore, confirmou que a empresa não pagou o aluguel de abril em alguns locais.

"Em vez de implementar uma política em toda a empresa sobre pagamentos de aluguel, estamos individualmente contatando os mais de 600 proprietários de imóveis que alugamos e parceiros ao redor do mundo para, com boa fé, encontrar soluções específicas que beneficiem todas as partes envolvidas", afirmou a empresa em comunicado por e-mail.

As propostas, compartilhadas no e-mail com o relatório intitulado "Navegando pelo futuro do local de trabalho", incluem a redução da capacidade da sala de reuniões pela metade, a adição de dispensadores de álcool gel em áreas comuns e a incorporação de "assentos intervalados", que permite uma distância de aproximadamente dois metros entre os trabalhadores. A empresa também propõe adicionar sinalização sobre lavagem das mãos e distanciamento social e "criar caminhos de circulação primária 'unidirecional' para evitar gargalos nos corredores".

O documento, direcionado principalmente a corretores imobiliários, sugere que "ajustando os layouts de áreas comuns e complementando com ampliações nos escritórios da WeWork, seus clientes podem se movimentar e aumentar de maneira flexível os espaços (e a distância entre as cadeiras) para quando os trabalhadores retornarem".

Nicole disse que o e-mail foi um "primeiro passo" em uma conversa sobre o futuro do local de trabalho, que inclui especialistas em design, construção, saúde e segurança. Os escritórios da WeWork foram "projetados para serem um espaço compacto e promover a colaboração e a conexão", disse Nicole. "Como é que isso vai parecer quando todos voltarmos a trabalhar?" / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Receba no seu email as principais notícias do dia sobre o coronavírus. Clique aqui.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.