Ana Paula Figueroa/Divulgação/Endeavor
Ana Paula Figueroa/Divulgação/Endeavor

‘Voltamos a ter indícios de um ciclo positivo’, afirma especialista

Especialista se preocupa com as eleições, pela incerteza que o processo pode causar

Entrevista com

Juliano Seabra, diretor-geral da Endeavor

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2017 | 05h00

As empresas que a Endeavor Brasil apoia cresceram em média 28% ao ano nos últimos cinco anos, a despeito da crise que atingiu o País. Mas isso aconteceu em boa parte pelo perfil das empresas que apostam em negócios inovadores, com alto potencial de crescimento. De qualquer forma, o diretor-geral da organização que reúne empreendedores, Juliano Seabra, aponta nesta entrevista como as incertezas políticas podem atrapalhar 2018, diante de uma economia ainda com sinais fracos de crescimento. 

Como foi o ano de 2017?

Ainda não é um ano de recuperação econômica. Um ou outro setor apresentou melhora. Mas, para a maioria dos empreendedores, foi um ano em que deu para sentir que parou de cair. Um ponto importante foi a reforma trabalhista. Para os empreendedores, traz componente relevante ao deixar de regular a relação patrão e empregado da perspectiva de que toda relação é igual e permite outras formas de contratação. Regulação de home office, jornadas mais flexíveis como a intermitente. São pontos relevantes porque permitem que o empreendedor comece a olhar a relação com os funcionários de forma uma pouco mais estratégica.

O que esperar para 2018?

Parece que recomeça a ter indícios de um ciclo econômico positivo. Agora, a política vai poder fazer isso se tornar numa onda de euforia ou de desânimo. E não estou falando do candidato A ou B, mas sim da incerteza do processo. 

E do ponto de vista do empreendedor?

Estive num evento fora do Brasil e uma coisa boa e positiva que percebi, conversando com pessoas de diferentes matizes ideológicos, é que quando o assunto é empreendedorismo parece haver um consenso que vai além da ideologia político partidária. Eles concordam que empreendedor é um componente importante da equação do desenvolvimento do Brasil. O que me deixa um pouco mais tranquilo do ponto de vista da agenda micro. O melhor exemplo pode ser dado com a cidade de São Paulo. A administração atual do PSDB manteve e acelerou programas para redução de burocracia que já estavam em curso em uma administração do PT, que por sua vez continuou programas de uma administração do PSD. Parece que é um tema que não gera controvérsia. O que é bom mas ao mesmo tempo ruim.

Por quê?

Porque o desafio de todo mundo concordar é que parece que não entra na pauta nunca. 

Passados alguns anos desde que a Lava Jato surgiu, como o tema corrupção afeta o contexto do empreendedor? 

Reforça a necessidade de microrreformas que diminuam a burocracia. As pessoas começaram a associar que a fonte da corrupção é o emaranhado, do qual surgem todas as vendas de caminhos que facilitam ou se propõem facilitar o tempo e a quantidade de processos por que o empreendedor passa. Num País em que você demora 2 mil horas só com procedimentos burocráticos para pagamento de impostos, e 85 dias para ter negócio operando com todas as licenças e alvarás, quando a média global é algumas dezenas de horas e abertura de empresas alguns dias, você cria uma margem brutal de espaço. 

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