Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

'Você tem que ter a empresa em primeiro lugar', diz criadora da Sodiê Doces

Ela transformou uma loja de 20 m² no interior de São Paulo em uma das maiores redes do País em bolos, a Sodiê Doces

Letícia Ginak, Especial para, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2017 | 10h00

A origem, a simplicidade e a determinação de Cleusa Maria da Silva, fundadora da Sodiê Doces, são praticamente o retrato da maioria dos brasileiros. E a história de uma das maiores franquias especializadas em bolos do País é impossível de ser contada separando criador e criatura. Para Cleusa, “você tem que ter a empresa em primeiro lugar e deixar a vaidade de lado”. Hoje, após 20 anos da abertura da primeira loja em Salto, no interior de São Paulo, com o investimento de uma rescisão salarial, a Sodiê Doces está presente em 13 estados e no Distrito Federal com mais de 290 lojas e 90 sabores de bolos. A receita que ela dá para quem quer empreender com pouco? “Acreditar, ter foco e não gastar.” Leia a seguir trechos da entrevista que a empreendedora, que participará da Semana Pró-PME, concedeu ao Estadão.  

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Quais são as principais armadilhas que o pequeno empreendedor, com pouco capital, encontra no início do negócio?

Acho que a maior armadilha é o pequeno empresário pensar que, se ele ganhou R$ 100 na venda do seu produto, ele pode pegar esse dinheiro integralmente e gastá-lo com necessidades pessoais. Ele muitas vezes não sabe que, desse valor recebido, fica para ele, no máximo, de 10% a 15%. Quando a gente começa a ganhar, entramos na ilusão de que esse dinheiro é só nosso. O meu maior conselho é que a empresa tem que vir em primeiro lugar e o resultado não é imediato, você o constrói no dia a dia.

Como você buscou se profissionalizar mesmo com pouco capital?

Eu realmente comecei a empresa com os conhecimentos que eu tinha. No início, o único curso que eu consegui fazer foi sobre decoração de bolos, no SESI. Por mais que eu não tenha aplicado fielmente esses conhecimentos, eles me trouxeram noção e autonomia para saber como fazer do meu jeito. A outra especialização que eu busquei aconteceu apenas quando decidimos expandir e apostar no modelo de franquias. Foi então que fiz um curso na ABF (Associação Brasileira de Franquias), que me ajudou muito nesse processo. Mas hoje existem muitas possibilidades de buscar informações, que são sempre importantes no início de um negócio.

Por trás do crescimento há uma boa gestão. Como você passou por esse processo de cuidar de mais processos e pessoas?

Eu acertei muito nas minhas escolhas, não tenho como negar. Construí uma equipe ótima, com advogados, nutricionistas e também uma equipe especial para olhar de perto as franquias. Mas eu sempre cuidei pessoalmente de todos os processos da empresa. Apenas após 15 anos de trabalho intenso eu decidi que ter uma diretora ao meu lado seria importante para eu aprender a delegar mais. Esse novo processo só trouxe coisas boas, inclusive o descanso.

Você começou com uma crise financeira pessoal e a superou. Como é lidar com uma crise nacional de longa duração, como a que estamos passando?

Já enfrentei muitas crises. Comecei com a minha e passei por outras, porque essa não é a única crise financeira que o Brasil viveu. Eu sempre penso na crise como uma oportunidade, seja para se profissionalizar mais ou para encontrar outros caminhos. Não troquei nenhum ingrediente para baixar o custo porque não é perdendo a qualidade que se supera uma crise. Estamos lidando bem com esse momento, abrimos por volta de 20 novas lojas nesse período. Acredito que a gente fica forte com a crise.

Hoje vivemos um boom da gastronomia e suas tendências. Como não se render a modas e descaracterizar a marca?

Eu não caio em modas. Quando invisto em alguma coisa diferente, eu faço isso com muita segurança. Por exemplo, a linha zero açúcar não é uma moda que está com os dias contados. É uma necessidade. Desde o início da Sodiê Doces eu recebia clientes que pediam bolos sem açúcar ou sem lactose para os filhos que tinham alguma restrição. Por isso investimos nessa linha, apresentando mais de 13 sabores de bolo zero açúcar e sem lactose, porque sabemos que as pessoas com restrições também consomem.

Seu projeto mais recente foi a inclusão de salgados nas lojas. Por que investir nesse projeto?

Essa foi uma necessidade que eu e meu filho percebemos observando o mercado. Entendemos que seria importante o cliente ter a experiência completa dentro da loja.

 

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