Você contrataria uma babá por aplicativo de celular? Startup paulistana acredita que sim

Você contrataria uma babá por aplicativo de celular? Startup paulistana acredita que sim

Sócios fazem seleção de profissionais para superar desconfiança dos pais; intenção é gerar renda extra para as profissionais

Vitor Tavares, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2016 | 05h39

Você deixaria uma pessoa contratada por meio de um aplicativo cuidar do seu filho? O casal Luciana Pereira e Taric Andrade quer provar que sim. Apostando numa demanda pelos serviços de babás freelancers, os dois investiram no Click Babá, uma ferramenta pensada para aproximar professoras, pedagogas e enfermeiras a uma realidade de trabalho sob demanda e renda extra.

Para conseguir a confiança das famílias, os sócios acreditam em uma seleção apurada das profissionais que vão fazer parte dos credenciados do aplicativo. "A gente ficou refletindo sobre uma pergunta: 'onde a gente deixa nossos filhos e fica tranquilo?' A resposta foi na escola e, por isso, resolvemos reunir apenas profissionais da área",  comentou Luciana, que é psicóloga de formação. A decisão de incluir auxiliares de enfermagem e enfermeiras veio de uma desenvolvedora do aplicativo, que tinha um filho com necessidades especiais e deu a sugestão ao casal.

No ar desde o início de 2016, atualmente o Click Babá funciona apenas em São Paulo, com 80 profissionais cadastradas, de um total de 6 mil pedidos. O aplicativo faz uma seleção rigorosa, que inclui análise de currículo, de referências, entrevista online e dinâmica de grupo presencial. "Não é pra ser uma babá que deixa a criança em frente à TV, mas uma profissional experiente, que trabalhe o desenvolvimento, faça atividades lúdicas...", falou Taric Andrade.

A ideia do aplicativo partiu da própria necessidade do casal de executivos, que, com duas filhas pequenas, estava enfrentando dificuldade de sair um pouco da rotina e viver como marido e mulher. "A gente não conseguia jantar, ir ao cinema nem ficar até mais tarde do trabalho porque a gente tinha que estar em casa para cuidar das crianças", destacou Luciana. Isso foi há cerca de dois anos, tempo que o casal usou para estudar o mercado e investir R$ 300 mil para desenvolver a ferramenta.

Até agora são mais de 1,6 mil famílias cadastradas no aplicativo. Quando os pais solicitam o serviço,  eles recebem o orçamento das profissionais já aprovadas na seleção e que estão num raio de 20 quilômetros de distância. Uma dessas profissionais é a pedagoga Gabriella Pinheiro, de 22 anos, usuária da ferramenta há dois meses. Depois de sair de um emprego temporário em uma escola em São Paulo, ela conheceu o aplicativo e resolveu aderir ao serviço.  Em dois meses, já fez 22 atendimentos - de crianças de 2 meses a 8 anos - e fatura, em média, R$ 300 por semana.

Os valores cobrados pelo atendimento são combinados entre as famílias e as babás, mas há uma margem de R$ 20 a R$ 55 por hora. Durante o processo de admissão, as babás passam por uma orientação do quanto devem cobrar, levando em consideração a distância e o período do serviço. O aplicativo cobra uma comissão de 20% no valor da babá, e os pagamentos são feitos apenas dentro da ferramenta, por meio do paypall. De acordo com o casal investidor, a expectativa é que, em 18 meses, consigam recuperar o valor investido na ferramenta.

Assim como outros aplicativos de prestação de serviço, após o atendimento, tanto os profissionais quanto as famílias são avaliados, para servir como base na hora de oferecer ou contratar um serviço. A previsão do aplicativo é que, em curto prazo, alcance o número de 9 mil pais cadastrados, chegando às cidades do Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

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