Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Vida dura para faturar no setor de sucata

Segmento conta com 5,4 mil empresas e emprega mais de 50 mil pessoas, mas encontra restrições para crescer atualmente

Renato Jakitas, Estadão PME,

29 de novembro de 2013 | 07h15

Não é fácil viver de sucata no Brasil. A despeito do que sugerem os dados gerais do setor, que processa mais de 10 milhões de toneladas de resíduos de ferro e aço por ano, contabiliza 5,4 mil empresas e emprega de forma direta 50,7 mil trabalhadores, esse é um ramo de negócios onde se cresce pouco e muito lentamente.

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Uma explicação para isso está no mercado interno, que tem capacidade para consumir 9,6 toneladas de cada dez mil quilos de sucata gerada atualmente, mas é dominado por três usinas: Gerdau, ArcelorMittal e Votorantim. Essa concentração, dizem os empresários, reduz a capacidade deles negociarem. Como agravante, não se pode ignorar a dificuldade encontrada pelas empresas, sobretudo as de pequeno porte, em captar fontes de insumo.

Sem uma legislação clara para controlar a reciclagem de automóveis velhos recolhidos em pátios de fiscalização, uma das principais fontes geradoras de matéria-prima para o setor pelo mundo, o sucateiro local investe sola de sapato e dinheiro para acessar as cooperativas e redes de catadores catalogados, quase sempre dispersas. Essa busca é geralmente por descartes residenciais, designado como obsolescência doméstica – basicamente geladeiras, fogões, eletrodomésticos velhos e alguns carros arrematados em leilões organizados pelas companhias seguradoras.

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Para usinas, negócios não estão prontos para a demanda interna

“O problema é que a sucata de resíduo doméstico é cara de se localizar e tem mais impurezas, sendo, portanto, menos valorizada que a de origem industrial”, afirma José Antônio Arévalo Júnior, dono da Cofarja, com histórico de coleta e processamento de sucata na casa das 350 mil toneladas ao ano.

Ele estima a diferença nos preços entre as matrizes industriais e domésticas na ordem de 20%. “Essa é uma conta que nos interessa muito porque o negócio do sucateiro é principalmente o resíduo residencial, já que o industrial costuma ser negociado diretamente entre os produtores da sucata e as usinas”, conta o paulista, que destaca uma ‘comoditização’ do preço do insumo no Brasil. “Não é explícito, mas com um mercado consumidor concentrado, a gente sente isso. Um quilo de sucata de obsolescência sai por volta de R$ 420 a tonelada há muito tempo.”

Dono de uma sucateira de menor porte, Roberto Carlos da Silva concorda com José Arévalo Júnior em muito pontos, sobretudo quanto à política de preços. Ele e o irmão herdaram a CJ Sucatas do pai, que abriu o negócio há 40 anos. E uma alternativa encontrada pela dupla para ampliar o faturamento é apostar na exportação. “A gente não exporta propriamente, porque não temos tamanho. Mas vendemos para empresas exportadoras e, por quilo, faturamos R$ 0,3 a mais do que vendendo para usinas”, diz Silva, que coleta cerca de 9 mil toneladas por ano e destina 70% do montante ao exterior.

Vender para fora do País, por sinal, é uma alternativa cada vez mais procurada pelos empresários do ramo, que encontram mercado no continente asiático – Índia, Vietnã e China, principalmente. Em relação ao consumo interno, o volume de sucata ferrosa exportada é de apenas 3,5%, segundo dados coletados pelo Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa).

:: Panorama do setor ::

Concorrência

Não bastassem as 5,4 mil empresas que trabalham com sucata no Brasil atualmente (60% instaladas em SP), o ramo sofre ainda com a concorrência de grandes usinas.

Custo variável

Encontrar sucata não é tão simples quanto parece. É preciso administrar uma extensa carteira de coletores e cooperativas, além de leilões, com ritmo produtivo variável.

Investimento

Não dá para escapar do investimento em inovação e novas ferramentas. Afinal, além da coleta, é ponto fundamental o manuseio da sucata, o que tende a aumentar o valor do produto.

Exterior

Exportar pode (e deve) ser uma opção importante para o negócio. Mercados asiáticos têm carência de sucata e pagam preços entre 30% e 40% superiores ao encontrado no Brasil.

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