Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

Viagens de estudo crescem na crise

Até dezembro deste ano, 275 mil brasileiros devem deixar o País para fazer intercâmbio

Roberta Cardoso, ESPECIAL PARA O ESTADO

30 de agosto de 2017 | 08h49

O velho sonho do intercâmbio se tornou realidade no Brasil nos últimos anos. Em 2003, 34 mil brasileiros saíram do País para fazer curso no exterior. Em 2017, esse número deve chegar a 275 mil, de acordo com a Associação Brasileira Especializada em Educação Internacional (Belta). “O intercâmbio era para quem tinha posses, quem era rico, e não é mais assim”, afirma Allan Mitelmão, diretor de operações da Belta.

Muitos fatores contribuem para a expansão do segmento. Mudanças no perfil de idade do estudante, na duração dos cursos oferecidos fora do País e nas formas de pagamento, que se tornaram mais acessíveis ao sonho brasileiro da educação estrangeira, seja para ganhar fluência em um idioma ou para virar diferencial competitivo na busca por emprego.

A expansão do segmento em plena recessão também intriga os especialistas, que ainda não conseguem determinar o principal motivo para esse aquecimento. “Em 2016, o mercado teve crescimento de 12%. E a pergunta é: ele está crescendo apesar da crise ou ele está crescendo em virtude da crise?” 

Segundo Mitelmão, as duas possibilidades são viáveis. Os cursos estão menos elitizados, com condições de pagamento flexíveis e duração menor e são hoje mais voltados à profissionalização. “Há 10 anos, quem puxava a saída dos brasileiros eram os adolescentes de 16 ou 17 anos. Hoje eles estão na quinta posição”, diz. 

Embora a economia esteja instável e a taxa de desemprego alta no País, a principal hipótese do mercado para o crescimento do setor é que a necessidade de uma recolocação no mercado de trabalho está impulsionando a busca pela experiência. “Há uma parcela da população que ficou desempregada, pegou o FGTS e a rescisão contratual. Elas têm nas mãos um pouco de dinheiro para investir e o desafio de se recolocarem no mercado de trabalho. E as empresas tendem a valorizar o profissional que teve a experiência no exterior.”

Oportunidades. Fundada há 52 anos, a Experimento, agência especializada em intercâmbio, exemplifica o quão atrativo pode ser o mercado. A marca, vendida para o Grupo CVC no final do ano passado, em uma transação de R$ 41 milhões, tem metas ambiciosas para explorar o segmento, agora como franquia. Até o fim deste ano, mais cinco unidades devem ser inauguradas em todo o Brasil. A expectativa da empresa, atualmente com 43 lojas, é alcançar 70 unidades até o fim de 2019. 

À frente da Experimento há dez anos, Patrícia Zocchio, hoje no cargo de presidente da franquia, acompanha as mudanças do segmento e também do formato do negócio que ajudou a consolidar. “Quando falamos em expansão, é de lojas físicas com foco muito direcionado ao atendimento, algo que a marca já possui e que nos faz ter credibilidade”, diz.

O posicionamento da Experimento, de focar em atendimento e realizar uma espécie de consultoria aos clientes, é apontado por Mitelmão, da Belta, como algo certeiro e alinhado com as exigências do mercado. “O comportamento do consumidor que pretende fazer intercâmbio é muito diferente de quem está planejando uma viagem por lazer. Eles até começam buscando informações sobre os cursos na internet. Mas vão até as lojas para entender mais sobre os procedimentos.” 

De janeiro a julho deste ano, a Experimento registrou crescimento de 20% na venda de cursos. Para a diretora da rede, os resultados mostram o quanto promissor é o segmento. “Hoje também conseguimos atender perfis que não eram atendidos. Os cursos profissionalizantes de curta duração já são uma realidade no mercado de intercâmbio. E eles interessam a muita gente que pretende se recolocar no mercado de trabalho.”  Para os interessados em empreender, o investimento inicial em uma loja da marca gira em torno de R$ 150 mil.

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