Veterinário fatura R$ 900 mil com pet shop para animais silvestres

Veterinário fatura R$ 900 mil com pet shop para animais silvestres

Paixão por bichos diferente se tornou o primeiro empreendimento da América Latina

Marcelo Osakabe,

12 de agosto de 2014 | 07h53

 André Grespan colecionava borboletas e aranhas na infância e adolescência, mas nunca pensou em fazer veterinária até a sua mãe sugerir o curso. Na época, trabalhava de sacoleiro entre São Paulo e Paraguai. A sorte fez o primeiro congresso de Grespan durante a faculdade ser justamente em Foz do Iguaçu. “Fui porque conhecia tudo ali. Mas era um curso sobre contenção de animais selvagens. Me apaixonei.” 

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O estudante especializou-se no assunto e, depois de formado, trabalhou em zoológicos. Por volta de 2002 foi trabalhar em uma grande loja especializada em animais silvestres e exóticos, a Amazon Zoo, que já fechou as portas. Foi quando decidiu abrir uma clínica exclusiva para tratar desses bichos. “Resolvi investir porque eram grandes clientes e a concorrência nenhuma. Foi o primeiro empreendimento do tipo na América Latina”, conta. 

O começo foi bastante difícil. A Wildvet demorou quatro anos para se manter sozinha. Nesse meio tempo, Grespan teve outros trabalhos e chegou a dobrar o turno em um hospital veterinário. “Me chamavam de louco, mas mantive o propósito de ser exclusivo e nunca atendi cachorro ou gato”, afirma. “Podia ser ruim para o negócio, mas para a propaganda era bom porque os outros veterinários podiam me indicar sem medo. Eu não era concorrência.” 

Doze anos depois, a Wildvet faz cerca de mil atendimentos e fatura R$ 900 mil por ano - a consulta especializada é 30% mais cara do que a de um pet center convencional. A empresa também é uma loja de produtos especializados e um hotel para animais silvestres. “Imagina você colocar uma arara que vale R$ 60 mil no meio de um monte de gato? Vai deixar o animal todo estressado”, brinca. 

 

Especialização. Para o coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV, Tales Andreassi, a aposta de Grespan em um nicho bastante específico e com pouca ou nenhuma concorrência tem como vantagem o rápido reconhecimento. “Você se torna referência. Comunicar-se e fazer propaganda para o seu público também é muito mais fácil e rápido.” A desvantagem é a possível limitação do crescimento. 

O mercado de animais silvestres e exóticos cresceu na esteira do mercado convencional, que faturou R$ 15,2 bilhões em 2013, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). A Associação Brasileira de Criadores e Comerciantes de Animais Silvestres e Exóticos (Abrase) estima que apenas com a venda de animais registrados, o setor tenha faturado mais de R$ 1,3 bilhão. 

Os números, entretanto, escondem o fato de que o segmento sofre com problemas de regulamentação por parte do Ibama, que desde 2007 estuda o lançamento da lista PET. É essa relação que determinará quais são os animais silvestres que poderão ser comercializados. Em entrevista ao Estado em maio de 2013, o presidente do Ibama, Volney Zanardi Junior, afirmou que a lista teria cerca de uma centena de espécies. O número é bem inferior ao que já foi liberado pelo próprio órgão e deve contemplar quase que exclusivamente aves. “Em todo o mundo, mais de 450 espécies de répteis, anfíbios e mamíferos brasileiros são reproduzidos e vendidos de forma legal”, questiona o presidente da Abrase, Luiz Paulo Amaral. A lista ainda não tem previsão para ser criada.

A restrição não afetaria o negócio de Grespan no curto prazo, uma vez que 60% dos atendimentos da clínica já são de aves. “Mas no longo prazo é claro que prejudica. Isso aumentaria o número de animais ilegais, e eles não chegam ao meu petshop”, afirma. 

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