Vender pelo Facebook dá trabalho, mas pode ser boa opção para empreendedores menores

Vender pelo Facebook dá trabalho, mas pode ser boa opção para empreendedores menores

Grande empresa consegue sucesso mais fácil, mas há espaço para os pequenos negócios

NATALIA PEIXOTO,

12 de abril de 2012 | 07h10

 Criado para aproveitar o carinho que os fãs demonstram pelas empresas nas redes sociais, o sistema de vendas no Facebook ainda engatinha. O termo F-commerce, aliás, muitas vezes é confundido com a estratégia de marketing de divulgar os produtos por meio desta rede social. Apesar de não estar totalmente errada, essa definição deixa escapar a principal novidade: a total integração da loja no site criado por Marl Zuckerberg.

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google+ ::

As primeiras opções de aplicativos nacionais foram criadas apenas ano passado, apesar do sistema existir desde 2009 nos Estados Unidos e Europa. Na época que a novidade apareceu, os empresários correram para abrir uma espécie de filial de suas lojas virtuais no Facebook. A empolgação durou pouco e muitas marcas simplesmente desistiram da ideia.

Para Flavio Berman, sócio-fundador da Elike, empresa especializada em F-commerce, muitas estratégias usadas eram primárias e ignoravam as particularidades da rede social. “Um erro é achar que basta transpor o e-commerce tradicional para a fanpage para que as vendas aconteçam automaticamente. É preciso fazer barulho no mural.”

O número de fãs que a empresa consegue mobilizar na internet é essencial para o sucesso nas vendas. Por isso, há especialistas que defendem que esse tipo de comércio é viável apenas para grandes empresas. O negócio administrado por Berman, por exemplo, só atende empresas com relevância no mercado e mesmo assim após avaliação cuidadosa de cada caso. Entre seus clientes estão a marca de lingerie Hope, a Enoteca Fasano e a operadora de celular Vivo.

Berman justifica a seletividade da empresa com a vontade de realizar o melhor trabalho possível de forma personalizada. “Cada marca tem uma demanda específica e uma preocupação grande sobre essa loja no Facebook."

Foi para tentar levar essa ferramenta para os pequenos e médios empresários que a startup Novelo foi criada em 2011. Michelle Veronese, co-fundadora da empresa, acredita que o f-commerce é muito interessante para empresas de grandíssimo porte, mas ressalta que o foco nesses casos é bem específico. “É parte de uma estratégia menos focada em ter lucro e mais interessada em agradar o consumidor, mostrar que ele tem uma relação especial com a marca”, explica.

Para os pequenos e médios empresários, as vantagens são outras, como por exemplo o preço. Os aplicativos que permitem criar as lojas são gratuitos, têm interface amigável e são uma alternativa para vender online, economizando com programação, manutenção e propaganda. “Os pequenos e médio empreendedores não têm todo esse dinheiro. Toda a estrutura básica já está feita no Facebook. É uma mina de ouro para os empreendedores que sabem que é importante vender pela internet. E basta configurar a loja”, conta a sócia da Novelo, que já tem mais de 2 mil clientes em quase um ano de existência.

Sua loja na rede

Ao decidir adotar o sistema de f-commerce, o empresário primeiro deve criar uma fanpage para o seu negócio, que é diferente do que criar um perfil. O perfil agrega amigos, a fanpage é a página própria da loja e agrega fãs, as pessoas que “curtem” a página. Depois, deve-se escolher um dos aplicativos disponíveis, que podem ser encontrados em uma busca rápida na rede social.

Para o empresário, a loja é apresentada como uma plataforma de vendas. Para o usuário, a loja é um aplicativo que ele permite o acesso em seu perfil. Na Novelo, o serviço é gratuito para lojas com até 30 produtos, para lojas a partir desse número é cobrada uma taxa de R$ 16, valor que varia de acordo com a quantidade de objetos em ofertas e funcionalidades disponíveis, como estatísticas.

Para abrir a loja pela Elike é preciso entrar na fila de avaliação da empresa. Como suas lojas são mais complexas e personalizadas, o processo é mais demorado. Os preços variam de acordo com o projeto entre loja básica, loja com sistema de controle integrado e loja customizada e são disponíveis sob consulta.

Facebook de olho nos pequenos

Recentemente, o Estadão PME conversou com Grady Burnett, vice-presidente global de marketing do Facebook. O executivo afirmou, por exemplo, que a empresa acredita no poder dos pequenos negócios e que o Facebook continuaria estimulando a participação dessas empresas na rede social.

"Nossa empresa está sediada na Califórnia, mas havia muita curiosidade e animação sobre o que estava acontecendo na América Latina e Brasil. Nós abrimos um escritório no País, tivemos um bom crescimento e eu quis ver de perto, conversar com clientes", afirmou Burnett.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.