JF Diorio/Estadão
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Vender armações de óculos pela internet, por incrível que pareça, está dando certo

Parecia impossível oferecer óculos na rede, mas empreendedores usam a criatividade para mudar essa história

Gisele Tamamar, Estadão PME,

27 de fevereiro de 2014 | 06h30

A escolha de um óculos, em geral, está ligada a experimentação de diversos modelos que melhor combinam com o rosto de cada cliente. Mas como resolver esse problema quando a venda é online? Algumas empresas parecem ter encontrado a resposta para esse problema e, por isso mesmo, ganham cada vez mais espaço na web.

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E as soluções adotadas são simples – o uso da tecnologia, com uma espécie de espelho virtual, além da oferta de um serviço genericamente chamado de ‘prove em casa’. Mesmo assim, e isso faz parte da estratégia, esses negócios também apostam em loja temporária e showroom. Tudo para ficar cada vez mais perto do consumidor.

Tanto esforço tem uma explicação. A armação dos óculos deixou de ser um simples produto para ser considerada artigo de moda – e assim um mercado bem interessante para empreendedores surgiu. Se em 2006 artigos de moda ocupavam a 26ª posição entre os produtos mais vendidos no e-commerce, a categoria fechou 2013 em primeiro lugar.

“Existe uma grande dificuldade para que o consumidor possa visualizar se ele tem uma comunicação visual com o rosto. Mas dentro da categoria de moda e acessórios, o que vamos ver nos próximos anos são óculos, acessórios e roupa íntima ganharem participação”, diz Pedro Guasti, diretor-executivo da E-bit, consultoria que mensura as vendas online no País.

Há mercado. E há dinheiro circulando. Apenas em 2013, o setor movimentou R$ 22,4 bilhões, 15% a mais que no ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica). A entidade não tem os números das vendas online, mas vai incluir pela primeira vez esses dados no levantamento que será feito no decorrer de 2014. “A internet é um caminho sem volta, que vai crescer a cada dia”, diz Bento Alcoforado, diretor-presidente da Abióptica.

Exemplos. Há pouco mais de um ano, duas empresas resolveram apostar na venda online de óculos. Os negócios têm a proposta de eliminar os intermediários da cadeia e vender diretamente para o consumidor um produto com design, qualidade e preço menor, se comparado com o praticado pelas grifes.

A marca Livo foi criada pelos sócios Arthur Blaj, Guilherme Freire e Raphael Neves. Durante as pesquisas para começar a operação na web, os empresários notaram que a primeira coisa que o consumidor faz quando entra na ótica é entender qual tipo de óculos fica bom em seu rosto. Por isso, eles criaram um guia – cuja intenção principal é substituir a presença do vendedor – para que o usuário sinta-se mais seguro no momento da compra.

A plataforma tem um provador virtual, onde é possível ver como o modelo ficou em uma foto ou ainda em tempo real por meio da webcam. O cliente ainda tem frete grátis e o serviço de provar os produtos em casa. “A união de ferramentas com serviço dá a tranquilidade necessária para o consumidor comprar”, afirma Blaj. Em janeiro, a marca abriu uma loja temporária na Rua Oscar Freire, em São Paulo, com previsão de faturar R$ 300 mil em pouco mais de um mês de operação.

A Lema21 também investe em pontos físicos. Um showroom da marca está instalado na loja Thelure, nos Jardins, em São Paulo, onde o consumidor pode provar os modelos, comprar os óculos de sol na hora e ainda efetuar o pedido de modelos de grau no computador instalado no espaço. “Colocar nosso produto em contato com o cliente ajuda a trazer transparência e clareza para o consumidor”, diz um dos sócios da empresa, Jonathan Assayag. A Lema21 também tem a ferramenta de espelho virtual e o serviço ‘prove em casa’.

Para quem pretende investir nesse tipo de negócio, o diretor da E-bit, Pedro Guasti, destaca a importância da inovação. “É preciso ter um diferencial de atendimento para surpreender o consumidor, além de entrega no prazo e troca facilitada com um canal de comunicação transparente e ágil. Se o consumidor ver que vai dar trabalho para trocar, ele não vai comprar.” 

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