Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Universidades agora estimulam a abertura de novos negócios

Hoje, 25% dos alunos da FGV já saem empreendendo ou vão empreender em coisa de dois anos

Renato Jakitas e Gisele Tamamar, Estadão PME,

26 de junho de 2013 | 06h39

Uma parcela importante dos jovens que iniciam hoje um pequeno negócio no Brasil saiu de universidades que nos últimos anos investem no empreendedorismo como disciplina fixa da grande curricular. E para Juliana Zuccarello, sócia da empresa de recursos humanos Havick, isso não é coincidência.

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“O que está por trás dessa nova tendência de empreendedorismo jovem é o trabalho recente d as universidades, principalmente as de primeira linha”, analisa Juliana Zucarello. “Algumas faculdades introduziram o tema do empreendedorismo em seus cursos. Isso tem repercutido rapidamente na mudança de hábito e no interesse dos novos profissionais”, conclui a especialista.

Segundo o professor Rene Rodrigues, do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV, instituições como a FEA-USP, Insper, ESPM, Ibmec e a própria FGV repetem a estratégia bem-sucedida de escolas norte-americanas e europeias, onde o tema é difundido já faz algum tempo.

“O empreendedorismo tornou-se objeto de inspiração dos alunos do exterior nas décadas de 70 e 80, com o surgimento daqueles nomes que vieram do Vale do Silício. Mas isso chegou no Brasil a partir do ano 2000”, lembra o professor. “Hoje, 25% dos alunos da FGV já saem empreendendo ou vão empreender em coisa de dois anos. As principais escolas perceberam que deveriam deixar a formação de quadro de alta gerência para formarem pessoas que iriam criar novos empregos.”

Mayura Okura, 27 anos, é um exemplo de como essa estratégia funciona na prática. Ela conta que descobriu seu lado empreendedor durante a faculdade de gestão ambiental na Universidade de São Paulo (USP).

“Minha atitude de correr atrás e ouvir as pessoas para conseguir fazer algo bacana despertaram isso em mim”, conta Mayura, que passou pela experiência de dois meses em uma empresa multinacional.

“Não gostei, (o trabalho) era algo limitado. Tudo era muito barrado, uma hierarquia muito grande, onde as ideias acabavam muitas vezes ficando no papel e na gaveta, e você se sentia improdutiva”, lembra.

Reconhecimento. Para dar rumo à carreira, Mayura idealizou o site B2Blue – plataforma online para comercializar resíduos sólidos. Foi com esse projeto que ela venceu, em 2012, uma competição universitária de empresas em estágio inicial, o ESPM Startup Challenge.

A empreendedora conta que participou de um processo de aceleração dentro da instituição, onde estruturou o negócio. Atualmente, com um aporte de R$ 500 mil proveniente de três investidores-anjo, o B2Blue saiu realmente do papel e tem previsão de fechar o ano com faturamento entre R$ 350 mil e R$ 500 mil. Mesmo com tanto sucesso, Mayura faz uma ressalva importante: “Gostaria de ter tido muitos chefes porque às vezes eu sinto que não tive essa experiência”, conta a moça.

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