Dario Vedana
Dario Vedana

Universidades abrem espaço para incubação de empresas de alunos

Empreendedorismo ganha reforço com mentoria na faculdade, que impulsiona taxa de sucesso de negócios

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2019 | 06h05

O empreendedorismo conquistou espaço dentro das universidades do País, sejam elas públicas ou particulares. O que começou, muitas vezes, como uma disciplina em cursos de administração, evoluiu para espaços e estrutura próprios, como incubadoras e aceleradoras. Estas iniciativas, mais do que desenvolver a vocação empreendedora dos alunos, colocam no mercado empresas já em funcionamento, com produto e público bem definidos, prontas para crescer e ganhar escala. 

Em 2014, a Faap identificou que empreender era um desejo cada vez mais frequente entre os alunos. Na época, uma pesquisa identificou que 86% dos alunos tinham a intenção de empreender em algum momento da vida. Foi então que surgiu o programa EmpreendaFaap, coordenado pela professora Alessandra Andrade. O projeto foi o embrião que resultou no Business Hub, espaço com 300 m² que será inaugurado neste mês e que abriga arena, coworking, aceleração e mentoria para alunos e ex-alunos com uma ideia na cabeça e disposição para transformá-la em negócio.

“Selecionamos 30 projetos e, por meio de uma competição, fechamos em 10 finalistas, dos quais apoiamos os três primeiros durante todo o ano seguinte com mentorias, networking e estrutura física”, conta Alessandra, que também coordena o Business Hub. A professora ainda destaca o foco do programa. “O que nos interessa como academia é desenvolver o empreendedor. E o veículo que usamos para isso é o desenvolvimento do projeto do aluno.” 

A metodologia usada pela Faap segue a linha das startups. Ao fim do programa, tanto empreendedor quanto a empresa estão prontos para um teste de mercado. Bárbara Brilhante e Rafael Pomin veem na prática os benefícios de viver o empreendedorismo na universidade. Alunos de engenharia de produção, eles criaram a WeGott, startup de mobilidade que atua com o agendamento de motoristas em locais de difícil acesso, como saídas de shows e festivais. Os alunos contam com as mentorias para aprimorar a empresa, já em atuação. 

“Vir para o B.Hub foi crucial para sair da ideação e operacionalizar a empresa. Se eu tenho uma dúvida jurídica, vou até o prédio de Direito e os professores me aconselham. Tenho estrutura e até hoje não gastamos nenhum real para colocar o WeGott de pé”, diz Bárbara. Além das mentorias e da pré-aceleração, a estudante afirma que o local também os prepara para os desafios do mercado. “Eles não passam a mão na cabeça. Em cada pitch são vários ‘socos no estômago’, nos mostram coisas que não pensamos.” Segundo Alessandra, dos vencedores dos últimos cinco anos, a taxa de sucesso dos negócios criados dentro do Business Hub é de 60%. 

Reestruturado em 2017, o Núcleo de Empreendedorismo e Inovação (NEI) da Centro Universitário Belas Artes também fomenta o empreendedorismo com os alunos e incentiva uma jornada de autoconhecimento antes mesmo de identificar qual é a melhor ‘sua’ ideia para abrir um negócio. “Cada aluno que passa pela mentoria recebe um livro que desenvolvemos, o Creativity Journey. Isso o ajuda a ter clareza do que ele quer e do que é importante para ele. A partir daí, ele começa a tomar decisões melhores”, acredita Dario Vedana, coordenador do NEI. 

No NEI, empreendedores em diferentes estágios são aceitos. “Muitos me procuram apenas com a inspiração de que querem ter o próprio negócio, mas não sabem por onde começar. Tem estudante que já tem a ideia, mas não sabe como tirá-la do papel. Depois, trabalhamos em protótipos, validação, chegando até as primeiras vendas”, completa. O local conta com tecnologias como impressão 3D e realidade aumentada. 

Atualmente, o NEI incuba 12 projetos. Um deles é o da ex-aluna de arquitetura Gabriela Rossato. A estudante criou o e-commerce SeuPetArt, em que o cliente personaliza um quadro com a imagem de seu pet, tudo online. Com pouco mais de um ano, a empresa já vendeu 3 mil quadros e faturou R$ 1 milhão. 

Impacto Social

O Habitat de Inovação Tecnológica Social (Habits), incubadora da USP campus Leste, atua desde 2012 com alunos que pretendem empreender em negócios de impacto social. 

“Estamos localizados na zona leste de São Paulo, que possui em seu entorno mais de 4 milhões de habitantes. Buscamos auxiliar e potencializar produtos e serviços que reflitam na melhoria da qualidade de vida da sociedade e gerem negócios, principalmente para essa região”, conta a professora e coordenadora, Luciane Ortega. 

O Habits tem capacidade para 15 empresas residentes. Além da infraestrutura física básica, todos o incubados têm oportunidades de fazer cursos de formação básica que todo empresário deve ter, além de aperfeiçoamento e preparo do produto para se expor a possíveis investidores. Hoje, são nove empresas residentes. 

Luciane destaca a criação da Quanti.ca, que atua com processos de aprendizagem virtual. “Eles estão com vários clientes e até contrataram alunos do próprio campus como estagiários.” 

Na cidade de São Paulo, também se destacam as iniciativas da ESPM, com a Incubadora de Negócios que já mentorou mais de 80 empresas de alunos e tem taxa de sucesso de 75%.

A Universidade Presbiteriana Mackenzie também conta com uma incubadora, que tem como objetivo auxiliar os negócios criados por alunos, ex-alunos, docentes e funcionários técnico-administrativos. 

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