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Uma questão de escolha

Como empreendedores definem seus principais fornecedores

Estadão PME

30 de maio de 2016 | 05h00

Ao entrevistar 1,5 mil empresários ao longo de dois meses, o Estado e a Officina Sophia/HSR Specialist Researchers realizaram o mais completo estudo sobre o mercado de pequenas e médias empresas no Brasil com foco no relacionamento do canal com seus principais fornecedores.

Batizada de ‘Escolha PME’, a pesquisa analisou inicialmente um espectro de 30 categorias e subcategorias de fornecimento, que passaram por uma série de filtros e revalidações até a definição das atuais 17 áreas que ilustram este caderno especial. Além da composição de um ranking, o levantamento também procurou conhecer as marcas que são encaradas como objetos de desejos por parte do empreendedor, sem necessariamente atuarem como fornecedores desses entrevistados. Para a composição do ranking, os pesquisadores usaram uma escala de zero a dez, sendo que as notas obtidas entre oito e dez foram ponderadas com pesos proporcionais chegando-se ao índice de satisfação que determinou as companhias vencedoras.

Empresário é mais exigente na avaliação do fornecedor

Não é fácil agradar o pequeno e o médio empresário brasileiro. Em resumo, essa é a mensagem da pesquisa ‘Escolha PME’, que analisa o índice de satisfação desse setor com os seus fornecedores. O levantamento foi realizado pelo Estado com o instituo Officina Sophia/HSR Researchers. 

Nesta e nas próximas páginas deste caderno especial, o leitor tomará contato com as preferências e os desejos de um cliente que, do ponto de vista de suas exigências, se posiciona em um patamar acima da média dos brasileiros. Esse é apenas um dos traços mais visíveis da divergência alimentada pelos papéis de pessoa física e jurídica, que coexistem e se confundem na figura do empreendedor brasileiro.

“O principal desafio de quem fornece para esse setor é que o empresário de pequeno porte não aceita ser tratado como pequeno. Ele pode estar na base da pirâmide entre as empresas, mas enquanto pessoa física, ele está acima da média econômica, tratado com exclusividade pelas empresas que o atendem”, diz Paulo Secches, diretor do instituto de pesquisa Officina Sophia. “Temos 3 milhões de respostas de satisfação em nosso banco de dados e o brasileiro, geralmente, é muito generoso para graduar. Em uma escala de zero a dez, a nota média é de 8,57. Os empresários, nessa pesquisa, deram nota média de 8,26, o que comprova serem mais críticos.” 

A pesquisa ‘Escolha PME’ foi realizada entre 29 de setembro e 30 de novembro de 2015, ouvindo 1,5 mil empresários em todo o Brasil.

Foram selecionados empresários que faturam, por ano, a partir de R$ 500 mil e no máximo R$ 12 milhões. A escolha pela faixa de receita obedece aos critérios de classificação empregados normalmente por instituições financeiras. O dado também foi ponderado pelas definições empregadas pelo Sebrae e pela banco público de fomento BNDES. 

Ao todo, foram analisadas as predileções dos empreendedores em 17 categorias de fornecimento. A distribuição da amostra por área geográfica procura reproduzir a concentração de empresas pelo País. O estudo contemplou os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, além das regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Foram entrevistadas empresas dos setores da indústria, comércio e serviços. “A gente procurou trabalhar com uma margem ampla de entrevistados para ter um universo mais global”, afirma Paulo Secches. Segundo ele, a margem de erro do estudo é de 2,5 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. 

Telefonia é a principal fonte de insatisfação

Dentre os 17 setores avaliados pelos pequenos e médios empresários na pesquisa ‘Escolha PME’, as áreas de telefonia móvel e fixa despontam como os alvos da insatisfação na área. Em sentido oposto, os fornecedores de impressoras e os provedores de vouchers e cartões pré-pagos, utilizados para o pagamento de alimentação e de refeições, por exemplo, detém as avaliações mais positivas no estudo. 

Com notas de 6,34 e 6,80, as operadores de telefonia fixa e de telefonia móvel, respectivamente, ficaram quase 2 pontos atrás da média das notas da pesquisa, que ficou em 8,26. O estudo empregou uma escala que avalia as fornecedores de zero a dez, sendo de zero a sete os “insatisfeitos”, de oito a nove os “muito satisfeitos”, e classificados com dez os “encantados”. Os pesquisadores formularam questões diretas. As notas oito, nove e dez foram ponderadas com um peso diferente, chegando-se ao ranking com os dois ou três principais fornecedores em cada categoria. 

“O fato das empresas de telefonia registrarem as piores notas não nos surpreende. De cada dez pesquisas de satisfação que realizamos, onze trazem essa situação”, analisa Paulo Secches, da Officina Sophia, que realizou o estudo em parceria com o Estado.

Já a categoria de fornecedores de impressora registraram as notas mais altas, 8,97 – 0,71 acima da média.

Individualmente, a empresa que obteve o melhor desempenho dentre os mais de 30 nomes citados espontaneamente foi a companhia aérea brasileira Azul, do empresário David Neelman, dono da americana JetBlue Airways e da TAP. A nota da empresa ficou em 91,2.

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