Gabriela Biló|Estadão
Gabriela Biló|Estadão

Uma luz (bem fraca) indica a retomada

Tendência é de que a confiança do consumidor comece a pelo menos estabilizar, um alento para os empresários

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2016 | 06h00

Em meio a indicadores desfavoráveis, o Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) detectou, em maio, aquele que pode ser um alento para os empresários do setor. O pessimismo do consumidor em relação a compras futuras parou de crescer exponencialmente. O índice registrou 66 pontos em maio, dois acima de abril (64), mas houve queda de 39 pontos se comparado ao mesmo período de 2015. 

Longe de significar uma retomada na economia, o dado, porém, sinaliza que a saída para a sobrevivência à retração econômica pode ser mesmo o ânimo do consumidor. “A nossa percepção, e os números estão mostrando isso, é que a queda na sensação de otimismo vem diminuindo. Até o fim do ano, esperamos pelo menos uma estabilização, e, mesmo que lentamente, o comércio comece a se recuperar”, pondera o diretor do Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo Marcel Solimeo. 

A tese é reforçada por especialistas como o consultor de empresas e diretor da Faculdade de Administração da FAAP Silvio Passarelli. “A recuperação do empresário está atrelada à retomada do consumo. E isso vai acontecer quando a confiança voltar a fazer parte da vida do brasileiro”, avalia. “Porém, o trabalhador assalariado ainda está profundamente aterrorizado pelo desemprego”, pondera Passarelli. 

O economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes também confia na retomada pelo consumo, porém em uma perspectiva de longo prazo. [/ ]“O lastro do varejo é o consumo. E a crise de consumo que se instaurou no Brasil a partir de 2014 é sem precedentes, tanto na duração quanto na queda acentuada dos indicadores”, analisa. 

Capital. Enquanto o consumo reage, a principal sangria a ser estancada pelo empresário é a deficiência no capital de giro, caixa necessário para manter as despesas diárias do negócio. No caso dos empreendedores de pequeno porte, a ausência desse suporte financeiro diário pode culminar na inviabilização do negócio. 

“Sem capital, o proprietário deixa de pagar o funcionário, abandona o recolhimento de tributos e, no limite, volta à informalidade”, pontua Cláudio Gonçalves, especialista em gestão de risco e professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado. “Sobreviveu até agora o empresário que adotou práticas de transparência, sem apelar para a criatividade ruim”, avalia Gonçalves. 

Para Silvio Passarelli, o capital de giro foi o aporte financeiro necessário para manter o pequeno comerciante em funcionamento desde o início da retração. “Quem vai liderar a retomada são as empresas que conseguiram, até então, cortar custos para hibernar durante esse momento”, analisa. “As micro e pequenas estão, tradicionalmente, mais descapitalizadas, por isso é necessária uma atenção maior”, conclui.

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