Um pouco de inspiração não vai fazer mal ao negócio

Confira o que pequenos empresários gostariam de saber antes de empreender

Estadão PME,

27 de julho de 2015 | 06h56

Como tirar um projeto do papel e colocá-lo em prática

Depois de explicar para a família a decisão de empreender, revelação que foi motivo de susto para todos, Fernando Rodrigues e seus dois sócios na marca de óculos de madeira Notiluca, encontraram dificuldades em efetivar o projeto. “Passamos seis meses dentro de casa tentando fazer o produto existir. Há uma dificuldade muito grande em encontrar informações sobre taxas, burocracias, inscrições. Poucos órgãos centralizam isso, é preciso correr atrás”, explica o empreendedor. 

Aliar técnica com as ideias mirabolantes 

Para Fabrizio Serra, idealizador do clube de assinaturas de café em cápsulas Moccato, seu início como empreendedor, durante um mestrado na Dinamarca, foi circundado por uma questão: como transformar ideias aparentemente geniais em negócios efetivos? Depois de conseguir imprimir a marca da flexibilidade no ambiente da sua empresa, Serra define sua forma de fazer negócios. “Tenho a necessidade de colocar no mercado um produto que eu possa usar.”

Transformar o medo do fracasso em pura energia para vencer

“Ser empresário é uma coisa que vem de dentro. Quando a pessoa é empreendedora, qualquer coisa que vê na rua (ela) transforma em negócio”, reflete o italiano Marco Collovati, fundador da rede de laboratórios populares Sangue Bom e da empresa de diagnósticos OrangeLife. Encontrar maneiras eficientes de colocar essas ideias em prática, porém, foi o maior desafio para Marco no início da sua trajetória. “É difícil dormir quando a sua ideia ainda não deslanchou. Sobrevive quem reage a esse medo.”

 

Aprender sobre si mesmo é fundamental

No primeiro dia de portas abertas do Pastifício Primo, os três primeiros clientes entraram e não levaram nada. “Ainda me dá um frio na espinha de lembrar”, contou o fundador Ivan Schiappacasse Bornes, que achou que estava perdido. Isso porque os clientes perguntaram se a massa já estava pronta e adiante da resposta de que se tratava de uma massa que ele tinha acabado de fazer, mas era preciso cozinhar uns minutos, eles foram embora dizendo que isso dava trabalho, já que no mercado as massas eram vendidas pré-cozidas. 

Trazer uma nova realidade no consumo de massas foi o maior desafio enfrentado pelo empresário no início. “Pouco a pouco os clientes foram se encantando com a qualidade e agora recebo muitos depoimentos dizendo que nunca mais voltaram a comprar massas pré-cozidas, só querem massas frescas.” Hoje, a rede tem seis lojas e se prepara para abrir duas franquias nos próximos dois meses. 

Questionado sobre o que gostaria de saber quando começou, Bornes citou o alto impacto da inteligência emocional nos negócios. “Na verdade eu achava que sabia muito sobre o assunto. Foi só depois de algumas peripécias pessoais e profissionais que consegui de fato iniciar um aprendizado. É um aprendizado que nunca se esgota.”

Por isso, a dica de Bornes para quem começa agora é: aprender sobre si mesmo é fundamental para ser eficiente na liderança de equipes e formação de lideres. “O autoconhecimento pode acontecer por meio do próprio trabalho, viagens, meditação, esporte, terapia, ou a combinação de tudo isso e mais um pouco. Cada um tem um jeito.”

Trabalhe em uma empresa do setor antes de empreender

Antes de resolver a própria empresa, o cofundador da Star Think Uniforms, Sergio Bertucci, não tinha nenhuma ideia do que era montar um negócio, apesar da formação acadêmica e a experiência de trabalho em duas empresas. O que ele queria mesmo era ficar rico. Quando resolveu montar uma confecção, ele comprou dez máquinas de costura. "Quando as máquinas chegaram eu pensei: 'o que eu vou fazer com isso?'", conta. Ele teve a ajuda da mãe, que era modelista de alta costura. Mas sua experiência era de uma a duas peças por dia. Não 500. 

Por isso, a sugestão de Bertucci para quem pretende abrir um negócio é trabalhar durante cerca de seis meses em uma empresa do segmento que irá abrir para entender e conhecer o negócio, pontos fortes e fracos, inclusive para saber se esse é realmente o que pretende fazer nos próximos anos. 

O maior desafio do empresário foi abrir um negócio do zero. "Foi tudo na raça com muitos erros e acertos. Quando você trabalha em uma grande empresa, quem cuida dessas coisas são os outros departamentos. Eu não tinha ideia nenhuma do que era."

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