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Um pequeno empreendedor milionário

Thiago Oliveira vendeu sua empresa para um Search Fund, ou um fundo buscador, e agora só pensa em seu período sabático

JOSETTE GOULART, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2017 | 09h46

Thiago Oliveira, 37 anos, gosta de contar que começou no serviço de entregas com um Monza 94 do pai e que na maior parte do tempo mais empurrava o carro do que conseguia fazer as entregas. Ele era um “agregado” de uma empresa de logística, ou seja, um terceirizado. Foi assim que começou no ramo e decidiu montar sua própria empresa em 2004, como dinheiro de um amigo que colocou R$ 17 mil de capital. Nascia a Intershopping Logística, mais tarde virou IS Log Serices, que tinha como foco fazer entregas de todo tipo de documentos ou pacotes entre lojas. O sócio deixou o negócio cerca de três anos depois levando R$ 35 mil. 


A empresa estava indo bem quando em 2007, mesmo com a economia em franca expansão, Oliveira quase quebrou. O motivo é que um de seus melhores vendedores saiu da companhia e montou uma empresa concorrente, levando a maioria dos clientes. Hoje Oliveira conta que se não fosse esse concorrente, não teria crescido. Em vez de ficar parado, ele vendeu toda a sua frota de 30 veículos, já que dinheiro em banco era impossível, para montar quatro filiais da empresa. Foi dessa forma que a empresa se preparou para a crise de 2009. É na crise, segundo Oliveira, que a sua empresa mais cresce. 


Ele conta que só em 2017 vai crescer 30%. Isso acontece porque os preços da IS são mais baratos que os concorrentes e em tempos de crise as empresas acabam mudando contratos. Para ser mais barato, Oliveira diz que o segredo é ter o foco somente em cliente empresarial. Desta forma, consegue usar a logística reversa em que o mesmo carro que leva o malote é o que traz as encomendas. 


Os novos donos, André Freire e Marcelo Novaes, da Taqia Investimentos, terão que agora que montar novas estratégias para fazer crescer ainda mais o mercado da IS Log Services. Neste ano, os planos já são de mudar de galpão, hoje no bairro do Ipiranga, para um maior na Casa Verde. A empresa também pode enfrentar algum risco a depender de como a Justiça definir o caso do monopólio dos Correios, um imbróglio que se arrasta há anos no Supremo Tribunal Federal. 


Esse já não é mais uma questão para Oliveira. Não se sabe ao certo quanto ele recebeu pela venda de sua empresa. O fato é que ficou milionário, como comprova o capital aprovado na junta comercial e como ele mesmo atesta. Até o fim do ano, Thiago Oliveira ainda vai continuar na empresa, ajudando na transição. Mas já está com um pé fora. A decisão de vende-la, segundo ele foi porque não via mais  propósito no negócio. “Eu tinha um propósito quando comecei, que era a independência financeira minha e da minha família, e isso eu consegui”, disse ele. “Agora vou em busca de um novo propósito, mas não sei muito bem ainda”. Ele tem investido em projetos de start up, mas pretende se inteirar mais do assunto quando for morar nos Estados Unidos. Em julho do ano que vem, ele muda para a Califórnia com toda a família onde vai ficar um ano estudando inglês. A meta mais urgente agora é dar esse estudo para seus filhos. “Sinto muito falta de não saber inglês”, diz ele. 

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