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Setor de franquias cresce em relação ao primeiro trimestre de 2018 Studio F

Um panorama do setor de franquias

Segmento mostra crescimento e, se bem administrado, pode ser opção para período atual

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O segmento de franquias tem se mantido firme, apesar da crise econômica por que passa o Brasil. Dados da Associação Brasileira de Franchinsing (ABF) reforçam isso. O faturamento do setor em 2018 cresceu dentro da estimativa feita pela entidade, fechando o ano com alta nominal de 7,1% em relação ao ano anterior. A receita total do mercado de franquias saltou de R$ 163,319 bilhões para R$ 174,843 bilhões no período.

No primeiro trimestre deste ano, o mercado de franquias teve crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.

“O crescimento do setor reflete também os ajustes realizados pelas redes nos últimos três anos, principalmente a busca por mais eficiência, o desenvolvimento de modelos de negócio mais enxutos e a diversificação de canais de venda, linha de produtos e consumidores”, explica André Friedheim, presidente da ABF.

Neste especial, você acompanha as tendências do mercado de franquias, qual setor tem se destacado e descobre quais os cuidados é preciso tomar antes de entrar neste mercado e dicas de especialistas para fugir de armadilhas.

A 28ª edição da ABF Franchising Expo acontece desde quarta e vai até sábado, no Expo Center Norte, Pavilhões Branco e Azul, em São Paulo. Ela reúne expositores dos mais variados setores de franquia e oferece ao público a oportunidade de conhecer um pouco mais esse modelo de negócio. Mais uma opção para se informar e ter um pouco mais de conhecimento sobre o segmento.

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Entrevista: 'O negócio de franquias é resiliente'

Para André Friedheim, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), setor oferece vantagens para quem deseja abrir primeiro negócio

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

Para André Friedheim, diretor-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF) para o biênio 2019/2020, as franquias oferecem importantes vantagens a quem começa um primeiro negócio. Uma delas são as marcas mais fortes presentes no setor. Com nomes consolidados no mercado, a segurança para um investimento é maior. “É preferível uma marca que já conheço que tentar algo novo de que posso me arrepender depois”, disse.

Segundo Friedheim, o mecanismo de funcionamento em redes também faz diferença. Isso porque proporciona maiores ganhos de escala, mais know-how e acesso mais fácil a fornecedores e tecnologia. Mesmo assim, é preciso tomar alguns cuidados. “Qualquer negócio envolve riscos, e com franquias não é diferente”, alerta. Por isso, é preciso planejamento antes de começar e comprometimento depois de iniciado o negócio.

Quais são os impactos da crise no setor?

O varejo sofre um pouco mais com essa situação, mas o franchising é mais resiliente do que os outros setores. Temos marcas mais fortes, mais know-how, maiores ganhos de escala, acesso mais fácil a fornecedores, tecnologia mais acessível. O investidor ganha mais força para competir.

E as perspectivas diante do cenário econômico do País?

Todos os desafios conhecidos na economia, como a alta carga tributária, também afetam o setor de franquias. Mas, os ganhos de escala acabam facilitando a superação das dificuldades. Vejo boas perspectivas mesmo na crise, porque trabalhar em rede é mais vantajoso do que de forma independente.

Por que ser um franqueado pode ser vantajoso?

Eu defino franquia com a palavra ‘acesso’. Pode ser a marca, o know-how, a tecnologia, os ganhos de escala. A possibilidade de participar de uma rede de negócios garante ao empreendedor mais força do que se fosse em um negócio individual. A franquia dá essa vantagem, que é de sair na frente. Mas, nada vai substituir o trabalho do franqueado na ponta. Sempre com apoio do franqueador.

Quais os segmentos mais promissores para se ter uma franquia?

Alimentação é um setor tradicional, continua crescendo. Os aplicativos são mais um canal de distribuição que ajudam o segmento. As pessoas comem três vezes por dia. Então, é um setor bem forte. Há, também, os serviços educacionais, porque existe um déficit do governo que permite que empresas de escolas particulares tenham um espaço a crescer. Só uma minoria do país fala inglês, por exemplo. E o setor de serviços em geral. Estamos passando por uma fase de profissionalização dos serviços no Brasil. Isso tem influência de marcas de franquias estrangeiras. Se antes os clientes podiam ficar incomodados com o ambiente de oficinas mecânicas, agora já existem marcas que prestam esse serviço de forma muito mais profissional do que no passado: fornecem nota fiscal, seguro, treinamento aos funcionários, a oficina está sempre limpa. Você confia mais. Todo esse processo de profissionalização dos serviços vai fazer com que esse segmento continue crescendo por mais um tempo.

Existem vantagens específicas em se trabalhar com uma marca?

A marca é muito mais importante no atual momento, porque ninguém quer errar ao fazer uma compra. Com a credibilidade da marca, a compra é certeira. É preferível uma marca que já conheço do que tentar algo novo de que posso me arrepender depois.

Os empreendedores de franquias também enfrentam riscos?

Qualquer negócio envolve riscos e com franquias não é diferente. Mas, o risco é menor. As taxas que devem ser pagas às franqueadoras ainda são menores do que os custos de abrir uma empresa de maneira independente.

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Setor de alimentação vive momento de depuração

Em meio à crise e forte concorrência, cresce procura por entrega em casa

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O segmento vive um momento de decantação. Por ser um setor de grande concorrência, a qual tende a aumentar com a diminuição de restaurantes individuais e com o aumento de redes e franquias, apenas os mais preparados e estruturados sobreviverão durante a crise econômica vivida pelo País.

Há uma tendência do brasileiro, por questões de comodidade e trabalho, buscar uma alimentação mais prática, seja ela fora de casa ou por meio de delivery (serviços de entrega). Entretanto, isso não significa uma alimentação de má qualidade. O “comfort food”, ou alimentação caseira, bem como uma comida mais saudável, são opções que têm sido procuradas.

 

“Inovação é voltar para o mais simples”, diz Rafael Ramos, diretor de marketing da Casa de Bolos. A franquia acredita que as pessoas querem fugir de comidas industrializadas buscando opções mais caseiras. Para ele, “nossa época é um divisor de águas entre os aventureiros e os mais estruturados.”

Marcelo Tristão, diretor de desenvolvimento do Bob’s, diz que a rede realizou parcerias com diversos marketplaces e que o delivery tem aumentado a demanda pelos seus produtos. 

Camila Miglhorini, CEO da Mr. Fit, acredita que a tendência é crescer a venda por aplicativos de delivery. “As pessoas estão trabalhando mais, com menos tempo para cozinhar, e querem ser práticos e ao mesmo tempo comer de forma saudável.”

Delivery divide o segmento

Apesar de a tendência de serviços de entrega (delivery) tornar-se relevante no segmento, nem todas as franquias se utilizam destes serviços da mesma forma. Para alguns, não é interessante a venda à distância, seja por estratégia de marketing ou por questões de produto.

A franquia Casa de Bolos aposta na venda em lojas especialmente por causa do “cheiro do bolo”, afirma Rafael Ramos, diretor de marketing da rede.

“Temos um aplicativo próprio de delivery, mas acreditamos mais na venda presencial e no retorno ao contato físico”, diz.

Outra franquia que trabalha muito presencialmente é a Mania de Churrasco. “O delivery de carne e hambúrguer exige uma atenção maior. Existe um estudo de embalagem, de como manter a temperatura e a carne macia. Nós acabamos de fazer uma série de pesquisas e vamos entrar em testes a partir de julho para expandir isso até o fim do ano”, afirma Marcelo Amarante, sócio-diretor da rede.

No Brasil, durante muito tempo, o aplicativo iFood dominou o mercado de entregas de alimentos em domícilio. A partir de 2016, começaram a surgir novos concorrentes, como o Uber Eats e Loggi.

Hoje, já é possível pedir comida por uma série de aplicativos, como o Rappi e Glovo, além dos que já foram anteriormente citados.

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Reformas e diversificação alavancam a construção

Apesar da crise, inclusão de novos produtos no segmento levou a aumento durante período de recessão

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O setor de casa e construção começou 2019 com boas notícias. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento registrou crescimento de 12,9% no seu faturamento na comparação com o mesmo trimestre de 2018. Esses números, no entanto, não podem ser considerados ainda uma tendência que se refletirá durante o ano.

“Esse crescimento provavelmente foi impulsionado pelo subsegmento de reformas, jardinagem e decoração. Não significa uma relação direta com a construção civil”, comenta Paulo Ancona, sócio-diretor da Ancona Consultoria.

“O consumidor final estava carente de cuidados e investiu em reformas. Os serviços de manutenção e limpeza estão com o mercado mais aquecido pela percepção das corporações da necessidade de gestão preventiva no que tange à manutenção elétrica, hidráulica, de ar condicionados, etc. O que estava adormecido, por falta de esperança no reaquecimento da economia, parece ter despertado. Vamos ver por quanto tempo”, afirma Ana Vecchi, especialista em franchising.

É o que diz Lara Rossete, gerente operacional do Grupo Zaiom, dono da franquia Doutor Faz Tudo. “A crise acabou ajudando a rede. Por causa dela, as pessoas procuram cada vez mais reformas, em vez de se arriscarem comprando imóveis novos.”

Francisco Maciel, franqueado da Casa do Construtor, rede especializada em locação de equipamentos para construção civil, concorda. Parceiro da franquia desde 2009, ele diz que a crise afetou de forma muito pequena seu negócio por atuar no nicho do varejo da construção. Segundo Maciel, “se a pessoa não comprou um apartamento novo, ela vai reformar o que tem.”

Maciel, de 69 anos, decidiu há dez anos, após se aposentar, entrar no ramo das franquias de casa e construção junto com sua esposa, Wilce Maciel, de 67. Há 37 anos atuando no mercado financeiro, ele diz que sempre gostou muito da área e, por indicação de um cliente antigo, acabou optando pela Casa do Construtor após realizar pesquisa sobre o assunto. Com um investimento inicial de R$ 400 mil para abrir sua primeira loja, hoje possui três estabelecimentos, um em Santana e dois em Santo André, no ABC paulista.

Variedade. O que também tem ocorrido nestes últimos anos, por causa da crise, é uma diversificação do setor, com a inserção, por exemplo, de produtos de outras áreas, como jardinagem e limpeza, o que gerou uma mudança do perfil dos clientes. Se antes eles eram principalmente da área da construção, passaram a incorporar pessoas e empresas de fora do setor, como condomínios.

Sobre isso, Maciel destaca: “Nós fomos diversificando a linha de produtos. Você tinha quatro ou cinco produtos próprios da construção que eram os carros chefes, mas o crescimento que ocorreu no período se deu em outras linhas, como a de limpeza e conservação. Ocorreu uma alteração grande quando começamos a ver migrar os clientes, que eram ligados à construção. De repente, tínhamos mais pessoas físicas e jurídicas não ligadas à área comprando.”

A iGUi, única empresa do ramo da construção a figurar no ranking da ABF das 50 maiores franquias em unidades de 2018, também diversificou seu portfólio, criando piscinas para um público de menor poder aquisitivo.

“Nosso perfil de consumidor, que era mais das classes A e B, mudou porque criamos novos produtos, passando a incorporar também a classe C”, diz Filipe Sisson, fundador e CEO da rede.

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