Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Um chefe de sucesso sob a vigilância severa do pai

Rodrigo Oliveira, que comanda o Mocotó, leva bronca até hoje. Mas sabe que no fundo "Seu Zé" se orgulha do restaurante da família.

Marcelo Osakabe,

28 de agosto de 2014 | 07h01

 A história de Rodrigo Oliveira começou bastante cedo no restaurante do pai. Mas não era a pedido do “Seu Zé Almeida”, que tocava o negócio com três outros funcionários, e sim por questão de escolha. “Ele mesmo nunca me incentivou a estar aqui, talvez por saber que essa vida era muito sofrida”, diz. “Mas eu fui tomando gosto, para desgosto do meu pai.”

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 O Mocotó é hoje um dos restaurantes mais prestigiados do Brasil, reconhecido internacionalmente sem nunca ter saído do lugar onde foi fundado, a Vila Medeiros, zona norte de São Paulo. “Fez boa viagem?”, brinca o chef e gerente do restaurante. As dezenas de pessoas que esperam até três horas por uma mesa confirmam o sucesso do empreendimento.

 Rodrigo, o chef, não ajudava muito na cozinha, pelo menos no começo. Ele cuidava de outras áreas do restaurante e se encarregava de algumas reformas, como a das estruturas do antigo boteco e do fluxo de trabalho dos funcionários. Tudo sempre sob os protestos do pai. “Mas percebemos que estávamos no caminho certo, pelo retorno das pessoas que trabalham aqui, bem como dos clientes”, afirma Rodrigo.

 Foi apenas em 2004, depois de largar dois cursos diferentes na área ambiental e optar pela gastronomia, que ele assumiu de vez a cozinha e o negócio como um todo. Hoje o Mocotó tem a cara de Rodrigo, e junto com o Esquina Mocotó, um projeto paralelo montado em 2013 ao lado do restaurante original, atende cerca de 21 mil pessoas por mês, com tíquete médio de R$ 50 para o primeiro e R$ 70 para o segundo.

 O segredo, diz o chef, vem da educação sertaneja, e a principal lição dela é enxergar o valor a despeito do custo. “Pegue o torresmo, um dos nossos pratos mais conhecidos, por exemplo”, ele diz. “É feito com apenas um ingrediente, superbarato, e preparado de variadas formas pelo Brasil. Mas aqui a gente se debruça sobre ele como se fosse a mais fina iguaria.” 

 Seu Zé, o pai, continua batendo cartão no Mocotó. Mas apenas para conversar com clientes e o estafe da casa. “Não tem um dia que não tomo bronca. E quando não tomo, fico preocupado se ele está doente”, ri.

UM ACERTO

"Enxergar que a parte mais importante do negócio são as pessoas que o fazem acontecer. “Passamos a gerir a empresa levando em conta a história e o progresso de quem está aqui todos os dias. A gente sequer fala funcionário, não pela historia do politicamente correto, mas funcionário é um termo redutivo, parece que vem cumprir a função e acabou.”

UM ERRO

“Fizemos reformas sem a ajuda de um profissional e os resultados ficaram sempre aquém do planejado”, lembra o empreendedor. “Aprendemos bastante e os custos foram maiores do que o necessário. Em uma dessas reformas, tivemos, por exemplo, um vazamento que fez o salão inteiro ficar com 2 centímetros de água em plena sexta-feira à noite.”

UMA DICA

Reinvestir constantemente no negócio. “Parece meio piegas, mas é o nosso mantra. Sempre achamos que dá para ser um pouco mais. Se trocamos nossos saleiros por outros, estamos um tantinho melhor. Pouco a pouco você vai construindo um grande restaurante”, afirma Rodrigo, mostrando que o detalhe pode ser o segredo do sucesso na empresa.

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