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Como a Uber perdeu mais de US$ 1 bi no primeiro semestre de 2016

Resultado revela as dificuldades que o Uber e outras empresas de compartilhamento de veículos enfrentam quando tentam expandir globalmente

Mike Isaac, The New York Times

26 de agosto de 2016 | 15h12

Se o aplicativo Uber está transformando o segmento de transporte,  ele também vem perdendo um monte de dinheiro fazendo isso.

A empresa que se tornou uma espécie de baluarte da economia colaborativa pelo mundo acumulou perdas de aproximadamente US$ 1,2 bilhões no primeiro semestre de 2016, segundo uma fonte com acesso aos dados financeiros da companhia e que pede para não se identificar. Mais da metade dessas perdas, ou cerca de US$ 750 milhões, aconteceram no segundo trimestre do ano, disse a fonte. O porta-voz de Uber se negou a comentar a informação.    

Esses números revelam as dificuldades que a Uber e as demais companhias da  economia colaborativa enfrentam quando tentam se expandir globalmente. Como a Uber começou a abrir operações em inúmeras cidades ao redor do mundo, ela passou a gastar para recrutar motoristas, em campanhas de marketing sobre seus serviços e enfretar regualações e companhias de táxis. A companhia também oferece incentivos motoristas e usuários em formas de subsídios financeiros.

Como resultado, a Uber vem se dedicando em captação de recursos. A companhia, que tem valor de mercado de US$ 62 bilhões segundo os investidores, tem levantado bilhões de dólares todo santo mês. Em junho, a companhia conseguiu US$ 3,5 bilhões do fundo de investimento do governo da Arábia Saudita, um dos maiores investimentos individuais já conseguidos por uma empresa pública de tecnologia.

Muito das pesas perdas da Uber no primeiro semestre do ano foram atribuídas ao pagamento de subsídios da companhia para atrair passageiros e motoristas, especialmente na China, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto. A Uber gastou os últimos dois anos lutando em uma guerra na China contra o aplicativo Didi Chuxingn, seu gigante concorrente no país. Ambas as empresas gastaram bilhões de dólares subsídiando passageiros na corrida para ganhar pedaços de mercado, disse essa pessoa, uma prática que não pode se sustentar no longo prazo.

Essa gastação chegou a um final no final do último mês, quando a Uber concordou em vender sua companhia subsidiária, a Uber China, para a Didi. Didi também concordou em investir US$ 1 bilhão na Uber Global. O negócio abreviou a maior sangria de recursos da Uber no próximo trimestre, segundo uma pessoa familiarizada com as finanças da empresa.

A Uber vai continuar gastando em um outro lugar. A empresa sediada em São Francisco mencionou publicamente que está disposta a gastar para lutar na competição em alguns de seus mercados mais avançados, como nos Estados Unidos, onde ele disputa com sua rival Lyft.

Há alguns pontos luminosos nas finanças da Uber. A companhia registrou um crescimento significativo em sua receita do segundo trimestre deste ano, informa uma fonte, incluindo um salto de mais de US$ 5 bilhões em corridas no segundo trimestre, um método de contabilidade que inclui o dinheiro pago para os motoristas de Über.

 

 

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