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Turismo de experiência cresce em São Paulo

Empresa especializada nesses roteiros espera faturar R$ 1 milhão em 2014. A boa notícia é que ela não é a única

Marcelo Osakabe,

30 de julho de 2014 | 07h30

 O empresário Daniel Resende fez uma viagem com amigos para a Argentina em 2010 e lá participou de um ‘pub crawling’, como é conhecido o evento que reúne grupos de interessados, geralmente jovens, em visitar diversos bares numa mesma noite. Ele e seu amigo, Kyu Shim, gostaram da ideia e decidiram, então, tentar replicar o modelo em São Paulo.

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“Trabalhamos cinco meses no projeto e divulgação, na primeira noite havia basicamente amigos e amigos de amigos”, conta. Desde 2011, o negócio cresceu e hoje o Pub Crawl São Paulo contabiliza 430 eventos e 25 mil pessoas atendidas de 72 países. Nos eventos organizados nos finais de semana, o público médio alcançado pela empresa é de 150 pessoas.

Com o sucesso, a empresa decidiu diversificar e criou, no ano passado, o Sweet Flavour Tour, que realiza passeios semanais – com até 20 pessoas – em sete docerias na região dos Jardins, em São Paulo. “Pensamos em fazer algo ligado a gastronomia por causa da alta procura e decidimos pelos doces porque é uma forma de conhecer vários lugares novos e experimentar diferentes tipos de doce sem a culpa de se empanturrar de uma vez só”, explica Resende. Com os dois serviços, a empresa espera faturar R$ 1 milhão em 2014.

Resende aposta numa tendência mundial, a dos serviços de turismo, segundo o professor do curso técnico em guia de turismo do Sesc Aclimação, David Carolla. Ele afirma que a procura de passeios temáticos, ou com recortes específicos, vem aumentando em São Paulo, apesar de a cidade ainda ser majoritariamente um polo para negócios e eventos. “E esse tipo de roteiro funciona para todos os públicos, seja o estrangeiro, aquele que vem de outras partes do País ou mesmo o paulistano que deseja conhecer melhor a cidade em que vive.”

É o caso da Giro em Sampa, fundada há dois anos pela guia de turismo Shirley Damy com outros colegas. A empresa nasceu com o propósito específico de propor passeios temáticos aos paulistanos que vão desde roteiros gastronômicos, em bairros como o Pari e Perdizes, até um tour pela São Paulo italiana ou japonesa. “Tentamos criar um roteiro novo por bimestre e renovamos sempre a programação fixa. Assim, as que saem ficam na prateleira caso algum grupo particular se interesse”, afirma Shirley.

Dados da SPTuris mostram que a cidade deve receber 15,1 milhões de visitantes em 2014, 14,3% a mais que em 2013. Os negócios ainda são o motivo pelo qual 63,5% dos estrangeiros e 48,4% dos brasileiros vêm a São Paulo. Mas essa porcentagem vem caindo. “Além disso, a cidade recebe pessoas por outros motivos, como as que vêm fazer compras, intercâmbio ou algum tratamento de saúde. É uma oportunidade”, afirma a professora de Desenvolvimento Econômico da Faap, Deborah Travassos.

Segundo Luís Paulo Simardi, que desde 2010 comanda a Around SP, uma empresa focada em atender grupos de estrangeiros, a imagem da cidade já mudou no exterior. “É meio que o oposto do Rio. Lá é natureza, é relaxar, aqui era muito relacionado com o caos urbano, com violência. Agora começamos a receber gente interessada em arte urbana e arquitetura.”

Para os que têm vontade de criar uma empresa nesse segmento, David Carolla afirma ser preciso entender que a montagem de programas temáticos demanda conhecimentos específicos. “Cada profissional vai precisar se especializar em outras áreas além do turismo, como religião, futebol, gastronomia.” Segundo ele, também é necessário saber onde buscar os clientes. “Uma divulgação genérica não vai funcionar.”

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