Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Turismo de compras ajuda os empresários na Feira da Madrugada

Local garante o faturamento do mês para uma série de guias de turismo

Renato Jakitas, Estadão PME,

31 de janeiro de 2014 | 14h30

Os vendedores da Feira da Madrugada não são os únicos a lucrarem com a movimentação diária de 15 mil pessoas no terreno que vai do Brás ao Pari, na região central de São Paulo. O local também garante o faturamento do mês para uma série de guias de turismo. Eles organizam excursões regulares de comerciantes que chegam a São Paulo para abastecerem os estoques de suas lojas.

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Por dia, passam pelo local de 20 a 30 desses guias, vindos de todos as regiões do Brasil. Gente como o paranaense Eugenio Zem. A cada três ou quatro dias ele sai de Curitiba (PR) por volta de 21h. Chega na Feira da Madrugada por volta das 2h carregado de passageiros e dali espera até 16h, no máximo, para colocar o ônibus no caminho de volta para a capital do Paraná.

“Dia 28 de setembro completarei 13 anos nessa vida”, conta ele, que chega a faturar até R$ 2,2 por excursão, dependendo do número de passageiros (cerca de 10 mil por mês). “Uma viagem muito boa tem 78, 72 passageiros. Uma ruim, como esta de hoje, em que trouxe só 15 pessoas, saio no prejuízo”, confessa.

Eugenio Zem ingressou no ramo depois de se aposentar como motorista de ônibus de viagem. Ele lembra que fazia algumas excursões na época de empregado, em dias de folga, e que o dinheiro servia para complementar o orçamento de casa. “A gente que gosta de trabalhar, quando chegava ao fim do mês, recebia o pagamento e só vinha descontos. Às vezes eu me sentia lesado”, relembra.

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“Comecei a brincar com esse negócio de turismo e somente aí ganhei um dinheiro melhor”, explica o empreendedor, que só trabalha com lojistas que chegam até ele por indicação para prevenir contratempos no percurso. “Tem muito risco de assalto. O trecho Curitiba-São Paulo tem muito ladrão.”

“Chega gente do Brasil inteiro e todo dia”, destaca o responsável por recepcionar os ônibus no estacionamento da feira, Raelton Bispo de Alcântara, conhecido como Zé Pequeno. “Agora a movimentação está fraca. Mas quando retomar o ritmo, dá para colocar uns 260 ônibus, sem contar umas 160 vans”, conta. “Agora com a reforma, não sei, mas acho que dá para colocar uns 300 ônibus”.

:: Estacionamento grátis determina o sucesso do espaço ::

Oferecer um espaço gratuito para os muitos ônibus fretados que diariamente chegavam com sacoleiros na região central de São Paulo foi determinante para a expansão da Feira da Madrugada. Na área contígua ao estacionamento, os camelôs estabeleceram suas posições, inclusive se adaptando ao horário incomum de operação, entre meia-noite e meio-dia, justamente o período em que as excursões desembarcavam na região.

Se conseguir equacionar a tendência natural dos seus envolvidos pela informalidade, com casos de contrabando e notícias de formação de cartel, a Prefeitura paulista e os varejistas podem construir um exemplo a ser seguido de bolsão de comércio popular do município.

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