Martins, Cherto e Cristina abriram a 13ª edição do Encontro PME
Martins, Cherto e Cristina abriram a 13ª edição do Encontro PME

Trio de especialistas se esforça para enxergar mudanças

Empresários experientes no setor baseiam análise positiva do franchising no desempenho obtido já no primeiro trimestre do ano

Estadão PME,

02 de junho de 2015 | 07h10

A crise econômica existe, mas não entra na pauta dos franqueadores brasileiros. Essa é, pelo menos, a impressão deixada pelos participantes da 13ª edição do Encontro Estadão PME. No primeiro bloco do evento, os empresários Carlos Wizard Martins, o especialista Marcelo Cherto, e a presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Cristina Franco, se esforçaram para deixar de lado a falta de liquidez do mercado e a desconfiança do consumidor.

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Apegados aos dados apresentados pelo setor para o primeiro trimestre do ano, com crescimento real de 5,7% (leia mais sobre o assunto na matéria abaixo), eles se esforçaram para explorar os pontos positivos do momento, como a atenção à gestão despendida por alguns empreendedores da área, assim como as oportunidades conjecturais, sobretudo quanto a redução do custo imobiliário em pontos comerciais.

“No mercado de franquia, e a gente já vem sentido isso bem antes de estourar a crise, as franqueadoras mais bem estruturadas e mais precavidas começaram há mais de um ano a fazer ajustes, prevendo que poderia vir um momento mais difícil pela frente”, destaca Marcelo Cherto, do Grupo Cherto, especializado no segmento. “Essa coisa de parar, arrumar as coisas e depois seguir está acontecendo com as empresas do setor. E tem dado resultados.”

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Já Carlos Wizard Martins, fundador do Grupo Wizard, vendido em 2013, e hoje no comando da rede Mundo Verde, mantém um discurso ainda mais radical. “Gente, falar em crise hoje em dia é brincadeira. Crise, quem viveu na década de 80, sabe o que é. E foi naquela época que a Wizard nasceu. O presidente do País se chamava José Sarney, o plano econômico que vivemos na época era o Plano Cruzado e a inflação era na casa de 60, 70, 80% ao mês. Se você tivesse uma nota de 50 cruzados na época, você não poderia dormir com aquela nota no bolso porque ela perderia o valor no outro dia”, observa. “O que estamos enfrentando aí é um pequeno ajuste”, diz.

Outro contraponto à desaceleração da economia bastante repetido pelo trio diz respeito às oportunidades observadas no mercado imobiliário, tido há alguns meses como o principal vilão no projeto de expansão de algumas redes.

As vendas no comércio varejista tiveram no primeiro trimestre de 2015 o pior resultado desde 2003, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados apontaram queda de 0,8% nas vendas do varejo em relação ao mesmo período do ano passado. Este foi o pior resultado para a comparação desde o terceiro trimestre de 2003, quando o recuo foi de 4,4%.

Como consequência, já se observa, na opinião dos participantes, uma tendência de queda no custos dos imóveis para locação tanto em pontos de rua quanto em shoppings.

“É difícil falar em um movimento em todo Brasil porque praças como São Paulo e Rio de Janeiro são diferentes. O Shopping Iguatemi Faria Lima, por exemplo, duvido que vá cair o custo do aluguel. Tem uma fila de espera de mais de três anos para conseguir lugar lá, se a sua marca for interessante para aquele shopping. Mas já é possível ver movimentos similares em outros locais”, analisou Marcelo Cherto. “Esse é um ponto positivo do momento. A gente já observa um mercado trabalhando com preços mais acessíveis”, reforçou Cristina Franco.

Martins concorda. Ele conta que 50% das 335 lojas da rede Mundo Verde opera exatamente dentro de centros de compras. E, tirando as praças mais disputadas do País, a negociação começa a pender para o lado do franqueado.

“Nós temos sentido já uma queda nos valores e especialmente quando você tem a capacidade de negociar em bloco. Porque nós temos um histórico de abertura de 10 lojas por mês. Dependendo do mês chegamos a abrir até 20 lojas. Quando você tem essa realidade, tem a condição de negociar em bloco, você tem muito mais poder”, observou o empreendedor.

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