Valeria Gonçalvez
Valeria Gonçalvez

Como transformar uma empresa que já existe em uma franquia

Além de identificar potencial de expansão do negócio, é preciso criar manual de operação e estrutura para treinar parceiros

Iara Diniz, especial para o Estadão

30 de junho de 2022 | 05h00

Foi em uma pequena sala na cidade de São Paulo, na academia de judô do marido, que Edna Onodera fez os primeiros atendimentos na área de estética, em 1981. O franchising, que na época não tinha legislação específica – a Lei de Franquias surgiu em 1994 –, nem passava pela cabeça da empresária. Mas Edna sonhava em crescer.

“Queria ter um espaço só meu, era muito focada em conseguir mais clientes. Comecei oferecendo limpeza de pele e massagem e, aos poucos, fui aumentando os serviços”, lembra. Em 1995, Edna inaugurou a primeira clínica, no bairro de Moema. Logo depois, a segunda, no Jardim Anália Franco. Em 2000, ela viu a oportunidade de transformar seu negócio em uma franquia.

“Estava panfletando no shopping quando uma pessoa me parou e perguntou: ‘Por que você não monta uma franquia?’ Procurei uma consultoria, e vimos que era viável”, conta Edna, que foi tema do livro Do Tatame ao Império da Estética, escrito por Geovana Quadros e lançado em 2022.

Hoje, a Onodera tem 55 unidades no País e em Portugal. O investimento para se tornar franqueado é de R$ 500 mil a R$ 700 mil, com faturamento médio mensal estimado em R$ 100 mil.

Para o presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Friedheim, a demanda é o melhor termômetro para saber se o negócio é franqueável. “Mas mesmo uma marca já testada e aprovada no mercado requer um estudo de mercado”, diz. Segundo ele, temas como viabilidade financeira, concorrência direta e indireta e o potencial de expansão precisam estar claros. “Uma franquia precisa ser perene, não pode ser um negócio da moda para uma região ou uma população em específico.”

Planejamento

Para Ana Vecchi, consultora em ciclo de vida de negócios, a questão da localização também é importante: “O ideal é começar a expandir próximo à franqueadora, onde o comportamento de consumo tende a ser similar”, ressalta.

Rauel Araruna decidiu, em 2019, transformar a escola de idiomas em franquia. A expansão da IP School se deu em São Paulo e Minas Gerais. “É importante ir criando corpo, crescendo o time perto primeiro. Com a estrutura que a gente tem hoje, não adianta eu abrir franquias no Nordeste se não conseguir prestar o atendimento correto”, diz. A empresa tem 15 unidades. O investimento vai de R$ 33,5 mil a R$ 149 mil. O faturamento médio mensal é de R$ 45 mil.

A formatação é outra premissa importante. Há normas estabelecidas pela Lei de Franquias, além de taxas a serem pagas. O negócio de franchising também demanda manuais de operação, programas de treinamento e estrutura de suporte. Para Carlos Augusto Júnior, CEO do Frango no Pote, a formatação foi um dos pontos mais importantes e desafiadores quando, em 2012, a família dele decidiu transformar a venda de frango frito por delivery em uma franqueadora.

“Ter uma franqueadora é muito diferente de ter a própria loja. Tem de contratar consultor, advogado, ter seu programa montado”, afirma. O Frango no Pote tem hoje 60 lojas. O investimento inicial parte de R$ 159 mil, com faturamento médio mensal de R$ 135 mil.

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