Trabalho informal para driblar a crise

Informalidade cresce por causa do alto índice de desemprego; comércio e serviços atraem pela facilidade e pouca burocracia

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2017 | 12h27

O desemprego assombra o Brasil. E, consequentemente, a volta da informalidade também.  No trimestre encerrado em abril, mais de 14 milhões de brasileiros faziam parte da estatística, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

O trabalho informal representa cerca de 32 milhões de brasileiros. Em comum, eles não contam com qualquer garantia da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e atuam por conta própria, ou seja, são trabalhadores informais. “Não adianta: aumentou o desemprego, aumentou também o número de informais”, explica Adriano Augusto Campos, consultor do Sebrae-SP.

As condições econômicas são propícias para fomentar o mercado informal. Para o especialista, esse nicho é formado por um perfil, em grande maioria, que não estava acostumado em gerir um negócio, mesmo que pequeno. “A maioria começa sem saber se vai dar certo. Eles desconhecem completamente os sistema tributário, não sabem que podem ser MEI, acham que terão gastos com contadores e burocracias”, diz Campos.

Os novos empreendedores, geralmente, possuem algum conhecimento técnico especializado. Eles buscam monetizar esse “talento”. No entanto, pouco sabem como gerir o negócio. “Por isso o comércio e os serviços ainda são as principais porta de entrada. Revender produtos ou cozinhar, assim como os serviços de limpeza,  ainda são atividades que não necessitam de muita especialização”, explica o consultor. 

De acordo com o especialista, em um momento de retração econômica como o de agora - duradouro - , o trabalhador informal fica refém das condições ditadas pelo mercado. “Ele não consegue enxergar, muitas vezes, que passado o aperto, ele terá se qualificado enquanto trabalhava”, diz. Por isso a importância de buscar qualquer tipo de capacitação. “Não existe apenas o Sebrae para ajudar. Com a internet, o conhecimento pode ser adquirido de muitas formas e gratuitamente. Os canais de vídeo ajudam, assim como educação a distância”, avalia.

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