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Tomada que reduz o consumo de energia, máquina que gela cerveja em segundos...Por que é tão difícil tirar uma inovação do papel?

Para presidente da associação dos inventores, inventor não precisa cuidar da produção

Estadão PME,

13 de fevereiro de 2015 | 07h08

Você já se deparou na internet com uma notícia e pensou: já tive essa ideia antes, por que não levei isso para frente? Ou se tem uma ideia, por que não consegue tirar do papel e ganhar dinheiro?

Entre os projetos que podem exemplificar a situação está o da máquina que gela uma cerveja em 45 segundos, que começou a ganhar o noticiário em 2013. O projeto fez sucesso, mas não chegou efetivamente ao mercado.

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Ou ainda a tomada inteligente que economiza até 50% o consumo de eletricidade dos aparelhos. Criado pela empresa Parce, o projeto arrecadou US$ 67 mil no site de financiamento coletivo Indiegogo no começo do ano passado. A previsão da empresa é começar a enviar o produto este ano, mas sem uma data específica.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Inventores (ANI), Carlos Mazzei, em muitos casos, o inventor não alcança sucesso porque ele mesmo decide cuidar da produção. E o desafio é ainda maior: além de cuidar do produto, ele vai precisar montar uma indústria e ainda lidar com a parte comercial.

"Cabe ao inventor inventar. Nunca orientei um inventor a montar uma indústria. O ideal é buscar uma parceria para ele ganhar um pedacinho das vendas. Assim ele garante mais dinheiro, sem risco", afirma Mazzei.

Segundo o presidente da associação, a maioria dos inventores sabe que inventou alguma coisa diferente, mas não sabe o caminho para ganhar dinheiro. Por isso, a primeira coisa que ele aconselha o inventor a fazer é registrar o projeto em seu nome para não correr o risco de ser roubado.

Feito isso, ele precisa avaliar qual o seu tamanho, se tem dinheiro para montar uma empresa, uma linha de produção ou se vai precisar contar com dinheiro dos outros. "A partir daí é preciso traçar um plano de negócio. Em 27 anos, todos os inventores que conheci e que produziram suas invenções fracassaram principalmente por falta de dinheiro e de aptidão comercial. Raros são os casos de inventores que ficaram ricos explorando a própria ideia", conta Mazzei.

Segundo Mazzei, os inventores mais novos, geralmente, têm consciência que sozinho não consegue nada, que precisa de uma aceleradora, um investidor-anjo para colocar a ideia no mercado.

"Sempre uso uma frase: nem todos os inventores que tentaram negociar seus projetos conseguiram, mas todos que conseguiram tentaram", diz.

Para o presidente da associação, as ideias não nascem na nossa cabeça, elas vem na nossa cabeça. "Se você não aproveita essa ideia, ela vai para cabeça do outro, mesmo que ele esteja do outro lado do mundo", diz. 

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