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Sillas Henrique/Zenklub
Sillas Henrique/Zenklub

Terapia online estoura no divã da pandemia e incrementa startups

Com saúde mental em alta há mais de um ano, empresas e plataformas como Zenklub, Vittude e Eurekka têm demanda crescente; avaliações psicológicas também viraram soluções na crise

Bianca Zanatta, Especial para o Estadão

12 de junho de 2021 | 23h55

Com a pandemia do coronavírus avançando em seu segundo ano e o período de isolamento social esticando seus tentáculos a perder de vista, os brasileiros tiveram necessidade de encarar o divã de uma vez por todas. Segundo uma pesquisa da plataforma de saúde mental e desenvolvimento pessoal Zenklub realizada no primeiro trimestre de 2021, a quantidade de horas aproveitadas em sessões de terapia online no Brasil aumentou 1.856% em relação a 2019. Isso significa que, no último ano, os brasileiros passaram mais de 80 mil horas em sessões online com psicólogos.

Apesar de as mulheres ainda serem o público majoritário (69%), o novo cenário trouxe um universo novo de pessoas que nunca tinham entrado em um consultório, de acordo com o médico Rui Brandão, CEO da startup. 

“Todos sentiram um abalo emocional e a terapia deixou de ser tabu”, ele afirma. No caso dos homens, Brandão acredita que o anonimato do processo online ajudou. “Os clientes precisaram lidar com o relacionamento familiar, mas também passaram a ver o autoconhecimento como matemática, uma forma de construção da consciência psicológica para antecipar questões e prevenir algo pior”, explica.

Os resultados refletem a mudança de comportamento. Desde o início da pandemia, o faturamento da startup saltou 650% e o número de profissionais psicólogos que trabalham com a plataforma foi de 461, em maio de 2020, para mais de 5 mil. O Zenklub tem hoje 150 mil usuários finais e atende 300 empresas. O mundo corporativo, aliás, foi um dos grandes responsáveis pela guinada. 

“Em 2019, sabendo que a depressão vai ser a doença mais incapacitante, as empresas já estavam se abrindo um pouco mais para a importância dos cuidados com saúde mental, mas ainda era tabu”, observa Brandão. “Agora nos tornamos a pílula dourada para as organizações porque abraçar a saúde mental foi uma forma de acolher e dar segurança aos colaboradores. É um espaço muito maior do que só tratar a doença. É uma ferramenta de gestão que ajuda nas questões de desenvolvimento socioemocional dos liderados.”

Com forte atuação em psicoterapia e medicina, a startup de saúde e bem-estar Eurekka também expandiu o negócio na pandemia, criando um modelo de franquia e tornando-se um hub de startups para ajudar profissionais da área a ganhar mercado. A empresa oferece atendimento e ajuda emocional por meio da inteligência artificial e serviços como o Eurekka MED, com especialidades como clínica geral, nutrição e personal trainer.

Com sede em Porto Alegre, a startup possui hoje 40 franqueados distribuídos no País e faz mais de 2 mil atendimentos mensais. A alta na demanda gerou um faturamento de R$ 4,5 milhões em 2020 e a meta para 2021 é de R$ 20 milhões.

Outra que decolou na pandemia é a Vittude, fundada por Tatiana Pimenta, que completou 5 anos de vida em maio. A healthtech, que oferece soluções de saúde mental para usuários individuais e para o mundo corporativo, viu a receita crescer 540% só em 2020 e pretende quadruplicar o resultado em 2021. 

Um dos pulos do gato para chegar ao novo patamar foi o desenvolvimento da Vittude Match, ferramenta de inteligência artificial que auxilia na escolha do psicólogo mais indicado para cada demanda. 

Em maio de 2020, a startup tinha aproximadamente 12 clientes corporativos. Hoje são mais de 130, entre gigantes como Grupo Boticário, SAP, Sky, Saint-Gobain, Alelo e Olist, totalizando 450 mil vidas cobertas. Soma-se a isso o acesso mensal dos mais de 3 milhões de usuários únicos, atendidos por 850 psicólogos que trabalham ativamente com a Vittude (na lista de espera, há mais de 14 mil cadastrados).

Avaliação de riscos

Inserida no nicho de mensuração e previsão de riscos psicossociais por meio de tecnologia, a Bee Touch cresceu 70% entre março de 2020 e março de 2021 com soluções como a plataforma Avax Psi, que faz avaliações psicológicas digitais a partir da ciência de dados.

Hoje, a healthtech cobre mais de 300 mil vidas, alcançadas por meio de parcerias com instituições de Mato Grosso do Sul e São Paulo, como a OAB/MS e a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP), da OAB paulista. 

No segundo caso, já foram realizadas mais de 2 mil consultas online desde o início da pandemia. A plataforma CAASPisco, desenvolvida pela Bee Touch, bateu 21 mil acessos. Ainda neste semestre, há a expectativa de um aumento de pelo menos 50% na cobertura de vidas, com a entrada de novas empresas no portfólio, e a previsão é de que o faturamento triplique até o final do ano.

Cinquentona repaginada 

Empresa cinquentenária com foco em pesquisa, desenvolvimento e geração de conhecimento para a área psicológica, a Vetor Editora migrou para o digital um mês antes do começo da pandemia, percebendo que as necessidades dos clientes estavam cada vez mais ligadas à agilidade nas avaliações psicológicas. 

De acordo com o CEO Ricardo Mattos, a nova plataforma, batizada de Vol (Vetor Online), trouxe funcionalidades para facilitar o uso no dia a dia. “Antes o psicólogo enviava o link para o avaliado, mas não conseguia acompanhar o teste de fato. Agora ele se conecta com o avaliado pela plataforma e não só vê a pessoa pela câmera como vê como ela está realizando o teste”, explica.

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A empresa também apostou com força na área educacional, com o desenvolvimento do Idem (Itinerário do Ensino Médio) - avaliação aprofundada que vai apontar as questões socioemocionais do aluno e identificar suas aptidões para escolher o caminho a seguir no ensino médio -, aulas online ao vivo e cursos de EAD de psicologia forense e Entrevista Diagnóstica para Transtornos da Personalidade (E-TRAP), entre outros.

Outro braço que impulsionou o crescimento é o organizacional. “Hoje 80% dos usuários da Vol vêm do mercado de RH, de empresas que estão usando nossos instrumentos para fazer contratações”, comemora o executivo. 

Ele fala que os testes da Vetor possuem validação científica e por isso possibilitam fazer contratações mais assertivas, reduzindo o turnover nas empresas. “Fomos de 300 aplicações diárias no começo da pandemia para 3 mil agora”, fala Mattos. “A plataforma já passou de 1 milhão de aplicações na base.” 

Para Mattos, a grande sacada, além da digitalização, foi voltar ao nicho da terceirização de serviços que o fundador da empresa, Glauco Bardella, fazia muito no passado - e que hoje passou a ser uma forte demanda do mercado.

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