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Tempos difíceis, mas o investidor americano aposta nas startups latino-americanas

Fundo de investimento acha que grandes empresas americanas apostarão na América Latina, em particular Brasil e México

Vinod Sreeharsha, The New York Times

01 de fevereiro de 2017 | 05h00

RIO DE JANEIRO - Com a mudança de governo nos Estados Unidos despertando incertezas, esta pode ser uma época inusitada para algum investidor americano apostar nos mercados emergentes.

Mas a Rise Capital, com sede em São Francisco, fundada por Nazar Yasin, ex-diretor da Tiger Global Management, acha que grandes empresas de investimento americanas apostarão na América Latina, em particular Brasil e México.

Depois de investir em diversos países na região nos últimos anos, pela primeira vez a Rise Capital apoiou uma startup de Internet na Colômbia. A Rise liderou uma rodada de investimento de US$ 5,2 milhões, encerrada este mês, na OFI, empresa de suprimentos de escritório online de Bogotá, disseram Yasin e Peter Ostroske, cofundador da OFI e seu diretor executivo.

O investimento foi feito logo depois de a Rise ter concluído um outro no Brasil. Em dezembro ela participou de uma operação de investimento privado de US$ 10 milhões na InstaCarro, com sede em São Paulo, uma plataforma online de venda de automóveis. A FJ Labs e Lumia Capital conduziram a operação, disse Diego Fischer, diretor executivo da InstaCarro.

Segundo Nazar Yasin, a Rise continua enxergando oportunidades promissoras na região e espera realizar mais investimentos este ano, apesar de as economias de alguns países passarem por dificuldades e das incertezas com relação às medidas políticas do presidente Trump. 

A economia do México deve ser afetada pelas decisões tomadas em Washington. E o Brasil continua mergulhado na turbulência política e econômica. De acordo com o mais recente informe semanal feito por economistas do banco central, o crescimento no Brasil será de apenas 0,5% este ano. Segundo o FMI - Fundo Monetário Internacional, menos otimista, a previsão é de 0,2%.

"A partir de uma perspectiva macroeconômica, o Brasil não está a salvo", disse ele. O que não parece perturbá-lo como investidor de longo prazo".

"A realidade, no caso dos mercados emergentes, é que na maior parte das vezes, os tempos são difíceis. Sempre haverá mais anos ruins do que bons", disse ele.

O campo das startups na região também vem atravessando altos e baixos nos últimos anos, mas a onda de empreendedorismo continua.

Yasin já investiu muito fora dos Estados Unidos. Foi codiretor da cobertura de internet na Europa no Goldman Sachs. Em 2010 ingressou na Tiger Global Management como diretor e trabalhou na companhia até 2013.

A Tiger foi uma das primeiras investidoras em empresas de Internet latino-americanas, bem antes de empresas de capital de risco do Vale do Silício começarem a se interessar. Foi durante este período que ele conheceu Ostroske, da OFI, que é americano.

A OFI já havia conseguido investimentos de uma outra empresa de investimento do Vale do Silício, chamada 500 Startups e Ostroske pretende usar o novo capital para se expandir e não só na Colômbia.

"Temos uma empresa bem consistente na Colômbia, mas precisa ser desenvolvida no México", disse. Nos próximos 12 meses "o foco será na criação de um escritório na Cidade do México", afirmou.

Esta é uma forte razão pela qual a Rise investiu. "Brasil e México são dois dos maiores mercados de Internet no mundo e há pouco capital de risco aplicado aí", disse Yasin.

Segundo ele, a Rise também está de olho na Índia e na Indonésia, onde, acredita, muitos setores offline são fragmentados. Os dois países já contabilizam mais de 100 milhões de pessoas online, o que é um importante indicador, disse. 

"Quando a Internet começa a crescer em mercados emergentes grandes, a tendência é de uma aceleração na capitalização de mercado", ele observou. / Tradução de Terezinha Martino 

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