Paulo Mendes e um de seus papais noéis: Natal deve ser mais magro neste ano
Paulo Mendes e um de seus papais noéis: Natal deve ser mais magro neste ano

Temporada de Natal vai ser magra até para o Papai Noel

Crise econômica transforma em vítimas as agências especializadas em papais noéis para o comércio e o mercado corporativo

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo,

17 de novembro de 2015 | 07h29

O papai noel vai se tornando a mais recente vítima da crise econômica que, neste 2015, estourou de uma vez no Brasil. 

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Com um comércio pessimista e consumidores assutados com a escalada da inflação e do desemprego, a procura pelo velhinho que traz presentes às casas das crianças bem-comportadas na noite de 24 de dezembro caiu vertiginosamente. 

Preocupadas, as agências especializadas redefinem as estratégias e tentam, de alguma forma e em cima da hora, minimizar os impactos do prejuízo que já desponta inevitável.

Dono da agência Papai Noel Brasil há cinco anos, o ator Jorge Occhiuzzio está desolado. Ele montou para 2015 um casting com 118 papais noéis, com barba natural e falsa, que ele pretendia oferecer ao comércio e às ações de marketing das empresas para funcionários, clientes e fornecedores. 

Mas a temporada de contratações já começou há duas semanas e, desde então, apenas 40% de seus atores foram contratados. 

"Está muito parado", preocupa-se. "A crise do Papai Noel existe e é grave", afirma Occhiuzzio, que vai centrar suas fichas no mercado tradicional do porta em porta - onde os clientes contratam um papai noel para entregar o presenta a seus filhos, na noite de Natal. 

"O que está acontecendo é que aquelas pequenas empresas, que eram as quem mantinham esse negócio, os supermercados, aquele comerciante que tinha uma farmácia, dois mercadinhos, esses pararam mesmo (de contratar papais noéis). "O que os comerciantes vão fazer é pegar um funcionário, colocar uma barba e fazer ele falar ho-ho-ho na porta da loja", prevê o empresário.

E segundo a Associação Comercial de São Paulo vai ser isso mesmo. Segundo Marcel Solimeo, que é economista-chefe da instituição, é esperada uma queda de 5% nas vendas em comparação ao ano passado, que por sinal já foi 1,7% inferior ao resultado de 2013, segundo o Serasa. Nesse contexto, ele diz, "é preciso muita criatividade (por parte do comerciante). E provavelmente o papai noel vai encontrar mais dificuldade nas lojas pequenas, que precisam reduzir custos", destaca o especialista.

A notícia não poderia vir em pior hora para Helio Gerbas, papai noel há 16 anos e já há 12 no comando da Papai Noel & Cia. Animado pelos resultados obtidos nos natais passados, em 2014 ele decidiu erguer seu grande sonho: um palácio do papai noel inspirado no castelo na região da Lapônia, no norte da Escandinávia. Ele pegou dinheiro emprestado no banco e deu início à obra, no bairro paulistano do Bom Retiro. Mas a crise chegou e, até agora, ele não concluiu a construção.

"A ideia é que esse espaço, que tem mil metros quadrados, ficasse pronta para esse Natal e funcionasse como um estúdio para campanhas publicitárias e um showrrom de produtos natalinos", conta Helio, que conta com 300 papais noéis para essa temperada. "Eu trabalho muito com shopping e dos atores que temos, apenas 50% serão absorvidos pelos centros de compra", diz ele.

Uma aposta de Hélio é tentar turbinar a venda de atrações natalinas, shows que ele mesmo criou e pretende comercializar para escolas e prefeituras. "Tenho mais de 25 atrações, como o trio de anjos músicos e os papais noéis cantores. São formas de ampliar o faturamento", diz ele. "Hoje uma entrega de presentes de um papai noel na véspera de natal começa com R$ 800 e pode chegar a R$ 8 mil, dependendo do que for encomendado. Como não existe crise entre os mais ricos, quero tentar crescer nesse nicho", afirma.

A estratégia de diversificação de portifólio é muito parecida com a adotada por Paulo Mendes, da Cia Bafafá, que começou como Papai Noel há mais de 20 anos e, devido a demanda, acabou transformando o negócio no maior filão de sua empresa de eventos artísticos. "O Natal nos dá uns R$ 300 mil por ano", diz ele, que conta ter se atencipado à crise. 

"Assim que vi que o ano seria ruim, no começo de 2015, eu reformulei meu site e comecei a pensar em outros serviços para o período. Hoje, nosso principal produto vai ser o Papai Noel em casa, nos dias 24 e 25 de dezembro", conta ele, que sentiu a redução de encomendas corporativas. "Tem de ser criativo. Vamos ter um papai noel de bermuda para vender sorvete e vamos atacar com força a demanda de clientes físicos. Vamos enfrentar esse Natal com o que temos", destaca.  

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