Debora Klempous/Estadão
Debora Klempous/Estadão

Tem uma startup? Especialistas afirmam que não basta ter uma ideia, é preciso saber vendê-la

Um destaque é que não é apenas o dinheiro que importa

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

22 de abril de 2014 | 06h52

Você teve uma ideia que considera brilhante, pensou em um novo negócio e agora chegou o momento de procurar ajuda para desenvolvê-lo. Mas para apresentar seu projeto a um investidor ou para alguma organização que vai auxiliá-lo, é preciso mais do que isso. Muita gente tem errado no momento de 'vender' sua startup. Pelo menos é essa a opinião de especialistas do segmento.

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Vender só uma ideia não 'cola' mais. Essa é a recomendação de Gustavo Caetano, dono da Samba Tech e presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Segundo ele, o candidato que busca apoio, aceleração ou financiamento para o seu negócio tem de tirar a proposta do papel e levar um protótipo do produto ou serviço para mostrar ao investidor. "Tem que mostrar algo que já funciona", reforça. Um investidor de Nova York, conta Caetano, tem um quadro na parede com o seguinte aviso: 'Não aceitamos Power Point'. Fica a dica para quem estava pensando em usar somente esse recurso.

O que vale mesmo não é a ferramenta e sim o conteúdo. Outra dica que Gustavo Caetano sugere é ter foco e saber explicar o produto ou serviço desenvolvido. "Não adianta falar que faz tudo para todo mundo, tem que sintetizar em uma frase o que o produto faz e que problema ele resolve", diz. E se houver concorrência, a sugestão de Caetano é mostrar que a sua solução é melhor.

Além dessas questões, Caetano afirma que é importante o empreendedor buscar um investidor não pensando somente em dinheiro. Ir atrás de quem tem conhecimento na área em que se pretende atuar facilita o desenvolvimento da empresa e pode proporcionar crescimento com mais agilidade. "É o que chamamos de smart money", afirma Caetano.

Saber o tamanho do mercado no qual o empreendedor pretende entrar também é uma forma de melhorar a apresentação. E isso é feito por meio de muita pesquisa, segundo avaliação de Rodrigo Menezes, coordenador do Comitê de Empreendedorismo da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP).

"Muita gente não se prepara direito para o pitch (apresentação rápida)", afirma Menezes. "O projeto pode ser bom, mas esse é um momento decisivo para vendê-lo, é o 'cartão de visita'", afirma o especialista. Segundo ele, é preciso ter tudo na ponta da língua. "O empreendedor deve mostrar seu produto e apontar vantagens e desvantagens; não adianta falar que não tem concorrente, pois sempre tem algum", acrescenta.

Na opinião de Marcelo Pimenta, professor da ESPM e que também é responsável pela curadoria de empreendedorismo da Campus Party, um erro comum é justamente esse: esconder as fraquezas. "Tem que dizer quais são os gaps, quais são as dificuldades", afirma.

Facilidade. Pimenta diz que nunca foi tão fácil tirar a ideia do papel e validá-la. "Antes de mostrar para o investidor, tem que testar o produto ou o serviço. E hoje temos muitos recursos para isso, sem que seja preciso gastar muito dinheiro, como e-mails, blogs e plataformas compartilhadas. Vivemos a revolução digital", completa.

O professor avisa ainda que o candidato a um novo negócio pode fazer tudo, menos isolar-se. "Tem que ir a eventos, conversar com investidores, compartilhar experiências, tudo isso para ter bastante informação e, dessa forma, não cometer os mesmos erros que outros cometeram", afirma.

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