Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Tem até albergue inspirado em clubes de futebol para aproveitar a visita de estrangeiros ao País

Segmento de hostels cresce e empreendedores se preparam para a Copa do Mundo

CRIS OLIVETTI, OPORTUNIDADES,

22 de outubro de 2012 | 06h25

 Depois de passar uma temporada na Europa, o geólogo Ralph Nicoliche voltou para o Brasil determinado a montar um albergue. “Nós já tínhamos o desejo de empreender em um segmento diferente, mas ainda não sabíamos o que fazer”, diz Alan Nicoliche, irmão de Ralph. Decididos a levar a ideia à frente, os irmãos convenceram dois amigos a serem seus sócios e montaram o albergue temático Gol Backpackers Hostels.

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Criado em outubro de 2010, possui uma unidade localizada a um quarteirão da Avenida Paulista e outra instalada em Manaus. Por serem amantes de futebol, os sócios decoraram as instalações com objetos que remetem à maior paixão nacional. “Usamos camisas, cachecóis, bandeiras e recortes de jornais que contam a trajetória da seleção brasileira e dos principais times do País.” Nos quartos, diz ele, as colchas e travesseiros levam emblemas de grandes times.

“É claro que a proximidade da Copa do Mundo de 2014, foi levada em conta quando montamos o negócio”, diz Nicoliche. Agora, os sócios planejam os serviços que irão oferecer na época do mundial. “Também precisamos dar uma repaginada nas acomodações aqui de São Paulo e expandir o imóvel de Manaus. Existe a possibilidade de abrirmos uma nova unidade. Enfim, estamos trabalhando as ideias.”

Outros empreendedores também investem no segmento de hospedagem, mais especificamente no de albergues, por ser uma opção econômica e bastante apreciada por viajantes internacionais. A educadora Beatriz Rocha criou o Hostel Paulicéia a alguns quarteirões da Avenida Paulista e tenta atrair os clientes com o programa chamado ‘Conheça São Paulo a pé.’ 

A proprietária mantém parceria com um grupo de free walking tour, que acompanha os turistas num roteiro pelo centro antigo. Beatriz diz estar muito feliz porque os brasileiros estão assimilando melhor o conceito de hostel. “Já hospedei até um grupo de pastores que vieram para um evento na capital.”

Segundo a empresária, o Paulicéia oferecerá alguns serviços específicos durante a Copa, que estão em fase de estudo. “Enquanto o evento não chega, estou criando um espaço no hostel para uma amiga ensinar inglês aos taxistas da região.” 

Localização. A diretora da Associação Paulista de Albergues da Juventude, Maria Doroteia Braz de Araujo, alerta sobre a falta de pesquisa para identificar o local ideal. “Muitos ignoram o geomarketing, que permite conhecer melhor o mercado e a delimitar geograficamente os pontos de maior potencial. Hoje, só na Vila Mariana temos oito hostels, alguns no mesmo quarteirão. O mesmo vem ocorrendo na Vila Madalena, que já conta com cerca de seis unidades.”

Segundo Doroteia, a localização é fundamental. “Tenho recebido cerca de dez e-mails por dia de pessoas interessadas em montar hostels. Poucos pedem informações sobre a zona leste, onde está sendo construído o estádio, mas de concreto, até o momento, não sei de nenhum que esteja sendo instalado por lá.” 

Ela diz que esse tipo de hospedagem econômica não traz grande rentabilidade. “Por isso, devem ter no mínimo 40 leitos. Trabalhamos com estimativa média de taxa de ocupação de 60%. Se o negócio tiver apenas 20 leitos, a receita não cobrirá as despesas.”

Franquia. Com uma trajetória de dez anos de experiência no segmento de albergues, os sócios do El Misti Hostel e Pousada estão concluindo a formatação para tornar a marca uma franqueadora. A primeira unidade foi criada, em 2002, no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro. “Começamos com 36 leitos e fomos crescendo aos poucos. Hoje, possuímos seis unidades próprias e quatro licenciadas. Agora, com a franquia, vamos acelerar a expansão”, diz German Olano.

Olano diz que quem já possui estrutura em operação e desejar se tornar um franqueado El Misti deverá pagar R$ 180 mil, mais a taxa de franquia no valor de R$ 64 mil. “Para quem for começar do zero, o investimento será de R$ 290 mil, além da taxa.”

O empresário esteve na África do Sul, durante a Copa de 2010, para pesquisar o esquema de acomodações. Conta que passou por vários hostels e que todos estavam lotados. Para quem pensa que o mundial ainda está longe, Olano informa que já está vendendo pacotes para 2014, para agências de viagens. 

“Estamos cobrando como se fosse carnaval, o pacote mais barato, para sete dias, sai por R$ 900.” Os clientes do El Misti contarão com um mix de produtos que inclui passeios, transporte, saídas noturnas e transfer do aeroporto ou rodoviária.

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