Gabriela Biló|Estadão
Gabriela Biló|Estadão

Táxi preto estreia hoje em aplicativo concorrente do Uber

Movimento marca primeira aproximação efetiva entre uma startup de compartilhamento de caronas e a classe dos taxistas

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2016 | 05h00

Com fama de "mico" entre os motoristas, os táxis pretos estreiam hoje no aplicativo de caronas remuneradas Cabify, concorrente da Uber e da WillGo. O movimento já havia sido previsto pela empresa espanhola desde sua chegada ao mercado brasileiro, em maio deste ano. Mesmo assim, ele marca a primeira aproximação efetiva entre uma startup de compartilhamento de caronas e a classe dos taxistas, que se dizem economicamente prejudicadas desde a popularização do serviço virtual.

Segundo a empresa, 30% dos três mil motoristas que atualmente circulam com táxis preto pela capital demonstraram interessam e se cadastraram para ingressar na plataforma. A empresa não divulga a frota que passará a contar a partir de hoje, mas diz que espera colocar para dentro da plataforma todos os cadastrados na medida em que a demanda for absorvendo a frota.

"Nós temos como meta um tempo médio de espera de cinco minutos para cada chamada. Hoje estamos com 6,5 minutos. Vamos absorvendo os novos motoristas lentamente, junto do crescimento da demanda", diz o chefe de operações do app no Brasil, Daniel Velazco-Bedoya.

O Cabify é considerado hoje, ao lado da Lyft, uma marca alternativa em um setor liderado com folga pela Uber, gigante que, após receber aporte de US$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano da Arábia Saudita, está avaliado em US$ 62,5 bilhões. O Cabify, enquanto isso, recebeu aporte de US$ 120 milhões da japonesa Rakuten, em abril.

Modelo. O nome do novo serviço será Cabify Cab e, segundo Velazco-Bedoya, a empresa vai reter 10% do valor da corrida dos táxis, que dentro da plataforma vai ser de entre 20% a 40% mais caro do que o serviço Cabify Lite, com carros de placa cinza e que concorre diretamente com o Uber X. Para se ter uma ideia, uma corrida utilizando o serviço Lite do bairro de Pinheiro até o aeroporto de Guarulhos, segundo a empresa, custa em média R$ 76,08. Com os táxis pretos, o preço estimado será de R$ 96,59. "A gente percebe que existe demanda por um serviço de qualidade maior. Por isso apostamos no modelo", conta o executivo da empresa.

Para Natalício Bezerra Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, a aproximação, em um primeiro momento, pode ser positiva. "Mas eu tenho minhas dúvidas. O (aplicativo) 99 Táxis começou cheio de amor para dar e hoje ele nos obriga a dar descontos de 30%, 20% para o consumidor. Táxi não é feira para vender abacaxi com desconto, a gente vende a corrida que está no taxímetro", conta.

Preto. Criado no ano passado, os táxis pretos foram uma tentativa de resposta do prefeito Fernando Haddad ao Uber, que se popularizava justamente por oferecer carros mais novos e sofisticados do que a média dos 33 mil táxis em circulação na cidade. Em dezembro de 2015, a prefeitura liberou cinco mil alvarás, sendo que 3 mil já foram sorteados e entregues. No entanto, os motoristas reclamam que a demanda pelo serviço não cobre o preço pago de R$ 65 mil por alvará, mais a prestação para o carro novo.

Diante das reclamações de “falta de serviço” por parte dos taxistas, a proposta original do táxi preto, que só ia aceitar corridas pedidas por aplicativo e só aceitaria pagamentos eletrônicos sofreu alterações. Agora, além de pegar passageiros na rua, os táxis pretos também recebem em dinheiro.

Além do Cabify, os táxis pretos podem ser solicitados no aplicativo 99 Táxi, na categoria 99TOP, e pelo EasyPlus, da empresa Easy Táxi.

 

Tudo o que sabemos sobre:
UberCabifyTáxiSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.