Camila investe na combinação tradicional do produto
Camila investe na combinação tradicional do produto

Tapioca é a nova moda na alimentação

Antes popular no Norte e Nordeste, produto ganha o País e desembarca nos shoppings como nova opção para empreender

Gisele Tamamar, Estadão PME,

29 de outubro de 2015 | 07h30

Antes limitada às regiões Norte e Nordeste e servida nos carrinhos próximos das estações de trem e metrô de São Paulo, a tapioca ganhou status. Graças à ausência de glúten, o item virou queridinho dos adeptos da alimentação saudável, está presente nas prateleiras dos supermercados – com uma versão rápida de preparo – e chegou aos shoppings.

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Tanto destaque tem despertado o interesse de empreendedores de olho em um mercado promissor. Para 2015, a Associação Brasileira de Amido de Mandioca (Abam) estima a produção de 650 mil toneladas de fécula de mandioca, sendo que 50 mil devem ser destinadas para o consumo de tapioca, crescimento de 30% em relação ao ano passado.

O aumento da presença da tapioca é notado pelo setor há pelo menos quatro anos, mas “pegou fogo” há menos de um, segundo o vice-presidente da Abam, Antonio Fadel. Indústrias que até então só produziam o produto passaram a embalá-lo e criaram suas marcas.

É o caso da empresa de Fadel, a Amidoeste. O empresário investiu R$ 5 milhões para lançar a marca Casa Maní e a massa Tapiocando, embalada por meio do vácuo e 100% natural. “É preciso tomar cuidado para não fazer mais do mesmo”, diz Fadel, que também vai vender o produto dividido em porções individuais.

Essa também é uma das propostas do empresário Vagner da Silva Gomes, dono há nove anos da Uni Soluções, especializada em kits personalizados de alimentação. De olho no mercado de produtos naturais e preocupado com a crise, Gomes investiu R$ 1 milhão na Uni Alimentos. O primeiro lançamento da empresa é justamente a tapioca. “Identificamos que existe muito desperdício nos pacotes de 500 gramas e resolvemos lançar um kit com porções individuais”, explica o empreendedor.

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Já Antônio Santana inovou com o uso da tapioca como matéria-prima para uma série de produtos: mistura para pão, pizza, brownie e até biscoito, batizado de Xilitoca. De Santo André, Santana foi para o Ceará há 15 anos. Chegou em busca de descanso, mas foi gostando e ficou. Inicialmente, a tapioca não o agradava, mas despertou sua curiosidade.

Dessa forma, ele criou a empresa Pão de Tapioca e está em fase de expansão da empresa para triplicar sua capacidade de produção. O empreendedor ainda mantém conversas com parceiros para abrir uma fábrica nos Estados Unidos e também em Portugal. “Eu tenho mais de 200 produtos para lançar”, conta Santana.

Prova de que a tapioca ganhou mesmo posição de destaque é a sua presença em shoppings. A Tapiocaria Market inaugurou sua primeira unidade no Cidade Jardim, em novembro do ano passado, e segue com inaugurações e plano de expansão por meio de franquias. “Procuramos sempre novidades de sabores, mas sou da opinião que as receitas mais incríveis são aquelas com as quais temos maior familiaridade. Por isso, investimos muito para tornar a combinação tradicional a mais perfeita possível”, afirma Camila Stonis, uma das cinco sócias do negócio. Em média, a loja atende 4,5 mil clientes por mês.

Mercado. Joselito Motta, da Embrapa mandioca e fruticultura, pesquisa o produto há 30 anos e destaca o potencial de expansão da tapioca em todo o Brasil. “É uma excelente oportunidade de negócio. O mercado está crescendo e você pode criar outros caminhos ao invés de fazer só a tapioca”, destaca o pesquisador.

Professor de pesquisa de mercado da ESPM, Victor Trujillo, faz um alerta: existem poucas barreiras de entrada para qualquer pessoa montar uma casa especializada em tapioca. “Na prática, isso quer dizer que a concorrência pode aumentar muito de uma hora para outra. A diferenciação se dará pela ambientação e pelo cardápio. Mas um sotaque nordestino pode ajudar também”, destaca o especialista.

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Sem glúten

Característica é um forte apelo da tapioca, mas empresa vai precisar buscar outros benefícios para convencer o consumidor

Prática

Fabricantes procuram diferenciação no apelo natural e por meio de embalagens com porções individuais.

Opções

No caso de uma tapiocaria, negócio pode tentar se destacar ainda por meio do cardápio, da ambientação e também por meio do atendimento.

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