Miró Machado/Divulgação
Miró Machado/Divulgação

Sylvester Stallone e o filme Rambo inspiram empresário a fazer sucesso no negócio de facas

Rodrigo Sfreddo, um dos principais cuteleiros do País, já vendeu peça por US$ 6 mil e até organiza cursos para estrangeiros

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

20 de dezembro de 2012 | 15h30

O ator Sylvester Stallone e sua habilidade com a faca no filme de ação Rambo inspiraram Rodrigo Sfreddo a entrar no mundo da cutelaria ainda na adolescência. “Eu tinha 13 anos, assisti o filme e fiquei louco. Meu pai já gostava de facas e resolvi remodelar outras peças para fazer a minha faca do Rambo”, lembra o empreendedor.

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Desde então, as escolhas de Sfreddo foram direcionadas para a cutelaria. Ele optou pela Faculdade de Engenharia Metalúrgica, por exemplo, pois ela o ajudaria a atuar na área de facas artesanais – o mercado cresce no Brasil, embora ainda seja reduzido. Sfreddo, aliás, é um dos principais nomes do setor no País e conquistou reconhecimento internacional. Sua faca, premiada no Blade Show, feira badalada do segmento realizada em Atlanta, nos Estados Unidos, foi vendida por US$ 6 mil – cerca de R$ 12 mil.

O artista também dedica-se a propagar seus conhecimentos, mas não consegue atender o alto número de interessados em fazer o seu curso. Atualmente, por exemplo, a fila de espera conta com 250 pessoas que procuram pelo nível básico.“Trabalhamos para o mercado crescer. Ensinar outras pessoas é uma forma de desenvolver o mercado para todo mundo ganhar”, afirma Sfreddo, que já deu cursos para cuteleiros até da Austrália.

Ao contrário de Sfreddo, Silvana Delcorso Lopes Mouzinho, 54 anos, descobriu as facas após atuar em outras áreas. Ela foi secretária por quase 20 anos e teve contato com o produto quando trabalhou na área comercial de uma importadora. “Comecei a conhecer esse mundo, fui me envolvendo e resolvi aprender”, afirma.

Silvana começou a fazer as primeiras peças em 2002, como segunda atividade, até priorizar a prática em 2005. “O dinheiro tem que ser uma consequência do seu trabalho, não o foco”, aconselha. Silvana vende suas facas por R$ 500 em média. Ela ainda organiza o Salão Paulista de Cutelaria, realizado todo mês de novembro.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira dos Cuteleiros (SBC), Milton Hoffmann, o caminho para o reconhecimento do mercado não é nada fácil para o empreendedor. “Exige muita dedicação. É preciso ter habilidade. O grande 'x' da questão é fazer uma peça com um fio duradouro.”

Ainda assim, segundo Hoffmann, o interesse de profissionais e consumidores pela cutelaria cresce no Brasil. Prova disso é que quando a associação surgiu, em 2001, eram apenas 11 associados. Hoje são 120.

“A criação da SBC foi responsável pela abertura do conhecimento das técnicas à sociedade em geral. Até então, o segredo, o mistério, o exotérico e a mística compunham o marketing dos poucos cuteleiros que existiam. Com a democratização do acesso ao processo de fabricação, possível graças à internet, eventos, exposições e cursos de cutelaria, o mercado cresce rapidamente”, analisa Hoffmann.

O investimento inicial para montar uma oficina é, em média, pequeno: são necessários cerca de R$ 5,5 mil. A prática de fabricar facas também é ensinada no Instituto de Artes da Universidade de Brasília.“Dos 300 alunos, nem 1% vira mesmo cuteleiro. Os alunos chegam aqui com a impressão de que será fácil. É preciso construir o nome e ter qualidade técnica para conquistar seu espaço”, conclui Hoffmann. 

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