Sucesso exponencial leva a novos desafios

Histórico de negócio com rápida expansão mostra longo caminho a ser percorrido

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2017 | 06h00

O bom e velho conto do empreendedor que decidiu abrir um negócio em busca da solução para um problema pessoal se aplica com precisão ao mineiro Max Oliveira. O que até então não havia passado pela sua cabeça é que ele criaria, junto com a MaxMilhas, um segmento de mercado capaz de movimentar 1 bilhão em compra e venda de milhas aéreas apenas nos três primeiros anos de atuação no Brasil.

Até 2013, Max era funcionário de uma mineradora e alternava seus fins de semana entre Belo Horizonte, sua cidade natal, e Vitória, para onde ia visitar a namorada com regularidade. Um dia, durante uma transação de compra de passagens, um problema no site da companhia aérea fez com que o pagamento de sua passagem não fosse realizado.

Quando Max foi reiniciar o processo, a tarifa dinâmica havia elevado o valor do bilhete de R$ 100 para R$ 500. O futuro empreendedor, claro, desistiu da viagem, mas passou a matutar sobre como aproveitar milhas aéreas de pessoas que não as trocam por passagens e, dessa maneira, perdem o benefício oferecido pelas companhias.

“No começo, pensava que a empresa seria apenas meu hobby. Para mim, se eu vendesse uma ou duas passagens por dia e ajudasse uma ou duas pessoas a viajarem já estava bom”, conta o empreendedor.

Então, no ano seguinte à abertura da MaxMilhas, o Brasil foi acometido por uma crise política sem procedentes, o que agravou a decadência da economia. Muitas empresas ficaram em risco, muitas pessoas perderam o emprego, mas Max Oliveira só viu sua ideia de negócio prosperar. “Muitas pessoas começaram a procurar formas alternativas de viajar. As companhias aéreas reduziram a oferta de voos e os preços subiram. Isso fez com que muito mais gente nos procurasse”, comemora o empresário mineiro.

Atualmente, cerca de 5% das passagens aéreas emitidas com milhas são transacionadas pela MaxMilhas e a perspectiva mais otimista é chegar a 30% desse mercado. Seja como for, o empresário não se gaba dos seus feitos à frente da MaxMilhas.

“Até o ano passado, nosso crescimento era essencialmente orgânico, com baixíssimo investimento de marketing”, conta Oliveira. “Mesmo assim, 33% das pessoas que compraram passagens por nosso intermédio não viajariam se não tivessem nos encontrado”, afirma o empresário.

Desafios. Apesar da pouca barreira de entrada enfrentada pela empresa, Max já começa a traçar estratégias para manter os índices de crescimento.

“Não é possível continuar escalando desta forma sem um novo plano de negócios. Precisamos fazer as pessoas viajarem mais de alguma forma. Ainda não conseguimos resolver essa equação porque nosso foco tem sido dar conta da operação”, comenta Oliveira. Ele planeja transacionar, em 2017, 6 bilhões de milhas aéreas, mais do que o dobro dos 2,5 bilhões alcançados somente no ano passado. A explosão foi tamanha que a equipe da MaxMilhas saltou neste ano de 63 para 105 colaboradores e deverá chegar a 180 pessoas.

Nesse planejamento, a expansão para outros países não está descartada por Max e o mercado da América Latina começa a aparecer no horizonte. “É muito fácil vender um produto bom e muito difícil desenvolver um produto que funcione. Quando você chega a esse patamar, o cliente o indica para todo mundo. Por isso, não basta resolver um problema, é preciso mudar a vida das pessoas.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.