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Sucesso de 'vaquinha virtual' de Dilma abre caminho para uso político da ferramenta

Apesar de proibida pelo STF, lei autoriza o desenvolvimento de sites individuais de financiamento coletivo para políticos e partidos

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2016 | 05h00

A "vaquinha virtual" para a presidente afastada Dilma Roussef viajar de avião já é a maior da história no Brasil. Com mais de dez mil apoiadores e quase R$ 670 mil arrecadados, o projeto de financiamento coletivo colocado no Catarse, um site de crowdfunding, já inspira empresários da área que, não é de hoje, aguardam um grande exemplo para tentar transformar o setor em uma ferramenta de captação de recursos para campanhas políticas.

No Brasil, o Superior Tribunal Federal (STF) proíbe que os políticos empreguem plataformas de financiamento coletivo já existentes para arrecadar para suas campanhas eleitorais. No entanto, o órgão libera o uso por meio de campanhas dentro de sites mantidos pelos próprios candidatos ou por partidos. E é justamente ai que empresas já estabelecidas na área, como é o caso do Catarse, e novos empreendedores enxergam espaço para sua atuação.

"Eu acho meio inevitável o crescimento do financiamento coletivo dentro desse segmento político", conta o consultor em crowdfunding, como é conhecido o negócio de vaquinha virtual na internet, Felipe Caruso 

Ele mesmo tem um exemplo para contar. Neste momento, Caruso trabalha no desenvolvimento de um site parecido para o pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo. O político prepara um site próprio de financiamento coletivo para angariar recursos à sua campanha. Freixo, aliás, já havia testado o expediente nas últimas eleições, quando levantou R$ 6,5 mil. "A ideia neste ano é conseguir R$ 1 milhão", conta Caruso.

EUA. O principal caso de utilização de crowdfunding vem dos Estados Unidos, quando o então candidato à presidente Barack Obama levantou cerca de US$ 118 milhões na internet para sua campanha de reeleição. Contando as duas campanhas, de 2008 e 2012, ele obteve ajuda financeira de quase 4 milhões de pessoas que, em média, contribuíram com 80 dólares cada.

Mola. Antes de Dilma, a maior campanha de financiamento coletivo no Brasil era de Márcio Sequeira de Oliveira, que em setembro de 2014 iniciou uma campanha no próprio Catarse para produzir um kit onde se possa estudar e ensinar o comportamento das estruturas arquitetônicas.

Chamado Mola, a meta inicial de Oliveira era obter R$ 50 mil dentro do site, dinheiro que seria empregado para arcar com os moldes e custos de fabricação de um primeiro lote. Mas o resultado alcançado ultrapassou os R$ 603 mil. “A gente bateu a meta em dois dias”, conta Oliveira. “Foi uma surpresa para todo mundo”, diz ele, que há dez anos trabalha no projeto, desde que se formou em arquitetura.

 

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