Jacky Naegelen/Reuters
Jacky Naegelen/Reuters

Startups lutam para evitar extinção das abelhas

Da 'colmeia robô' ao sistema de monitoramento virtual, empresas tentam conter o sumiço das espécies; nos Estados Unidos, queda da produção de mel foi de 44% no último ano

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2016 | 06h00

Com um papel fundamental para a sobrevivência de várias espécies da cadeia alimentar humana, as abelhas polinizadoras- ou ausência delas - vêm causando preocupação entre cientistas e ambientalistas . De acordo com um levantamento feito pela Associação Britânica de Apicultores, um em cada três alimentos depende dos insetos polinizadores. Iniciativas de empresas de tecnologia, entretanto, vêm tentando reverter essa situação.

Segundo uma pesquisa feita pela "The Bee Informed Partnership", uma instituição americana que reúne pesquisadores sobre o assunto, os produtores dos Estados Unidos perderam 44% de suas colmeias entre março de 2015 e abril de 2016, a maior taxa desde quando o estudo começou, seis anos atrás. Entre as razões do declínio, estão um tipo de ácaro que se alimenta de abelhas - e o uso de produtos químicos para controlar a praga também afeta a produção -, e a aplicação, por meio de aviões, de inseticidas para controlar a zika, em estados como a Carolina do Sul.

A rede de televisão britânica BBC fez um levantamento com as principais iniciativas que estão tentando auxiliar os apicultores. A "Bee Smart Technology", por exemplo, é uma espécie de "colmeia robô' que permite que os produtores contolem remotamente suas colmeias e, assim, rapidamente consigam identificar se há algum problema.

A empresa, que desenvolve pesquisas na Bulgária, desenvolveu uma pequena caixa com sensores que se adaptam ao formato de uma colmeia. O sistema monitora temperatura, umidade, a atividade da colônia, se a abelha-rainha está se reproduzindo e até o som ambiente. A caixa funciona com uma bateria, que precisa ser recarregada a cada três meses. Os dados são enviados para a empresa, que processa, analisa e envia um relatório ao produtor.

A tecnologia se mostra importante porque, nos Estados Unidos, muitos produtores transportam suas colmeias para alugá-las. Fazendas na Califórnia, por exemplo, pagam US$ 200 por colmeia, para que as abelhas façam a polinização em suas plantações.  No momento, a Bee Smart ainda conclui as fases de teste do produto.

Na Escócia, a Plan Bee oferece um serviço de monitoramento para as colmeias, com uma completa análise de dados, que são gerados por meio de um raspberry, tipo computador do tamanho de um cartão de crédito.  Em sua proposta, a empresa também  oferece 28 visitas anuais de especialistas.

Também no Reino Unido, está a Tumbling Dice, que usa três câmeras para monitorar o comportamento das abelhas, inclusive quando saem das colmeias.  Outra iniciativa é o crowdfunding para desenvolver um aparelho tcheco chamado "Thermosolar Hives", que promete solucionar os problemas das pragas sem o uso de produtos químicos, mas com tecnologia avançada.  A ideia é usar luz solar para esquentar a colmeia a um ponto que mate os invasores. A promessa é resolver o problema em 10 dias. Até então, o Thermosolar Hive já conseguiu arrecadar US$ 44 mil e deve começar a ser entregue aos produtores em janeiro de 2017.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.