Thays Bittar
Thays Bittar

Startups esperam evolução crescente no ano que vem

Empresas com base tecnológica devem manter, em 2019, o protagonismo que alcançaram no País

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2018 | 06h00

Após um ano marcante em termos de crescimento, o mercado de startups no Brasil deve se manter em evolução significativa em 2019. O ambiente econômico, marcado pela retomada (ainda que leve) da economia brasileira, tornou-se um terreno fértil para o desenvolvimento dessas empresas, que ganharam a atenção do mercado estrangeiro e das grandes corporações devido à sua capacidade de criação de produtos e serviços com alto potencial de crescimento.

Ao longo dos últimos 12 meses, mesmo com pouca idade – média de 2,7 anos, segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) – empresas como Nubank, PagSeguro, iFood, Stone e Rappi atingiram o status de unicórnio (valem R$ 1 bilhão) graças aos aportes financeiros recebidos de corporações nacionais e internacionais.

“É preciso olhar o mercado brasileiro com mais atenção e fazer benchmarking (comparação) com o mercado global para a busca de novas soluções”, diz Carlos Moysés, CEO do iFood, que hoje faz mais de 10,8 milhões de entregas de comida por mês ao redor do Brasil.

Guilherme Horn, líder de inovação da Accenture, aposta em bons ventos para o ecossistema brasileiro de startups em 2019. “Os investidores estrangeiros estão olhando muito atentamente para o Brasil e para a América Latina. Prova disso é o recorde de investimento em startups registrado no primeiro semestre de 2018, um crescimento de mais de 60% sobre o mesmo período do ano passado na região da América Latina”, comenta Horn.

Os dados são da LAVCA – The Association for Private Capital Investment in Latin America – e apontam investimentos em empresas na região na ordem de mais de R$ 4 bilhões ao longo do ano.

Para Amure Pinho, presidente da ABStartups, vários segmentos se beneficiaram com as startups em 2018. O movimento deve continuar forte em 2019. É o caso do mercado financeiro, com as fintechs, alimentos, com as foodtechs, e a área de saúde, com as healthtechs. “Esses setores serão puxados pelo alto potencial de consumo do mercado interno, que, aos poucos, está se reaquecendo”, observa Pinho.

Entraves. Apesar deste fato, as startups brasileiras convivem com alguns percalços no País, como o excesso de burocracia e a ausência de regulamentação. Elas puxam o freio dos investimentos.

Perto de países como os Estados Unidos, por exemplo, que possuem 30 mil investidores-anjo (empresas que injetam capital nas startups), o Brasil ainda caminha devagar. São apenas 7 mil companhias focadas em reforçar a atuação das startups. 

Segundo Maria Rita Spina Bueno, diretora-executiva da Anjos do Brasil, aspectos como a proteção patrimonial (responsabilidade da pessoa jurídica em caso de falência) e a falta de estímulo tributário aumentam o risco dos investimentos. “Os incentivos fiscais não representam uma renúncia tributária. Pelo contrário, contribuem para o aumento do volume de arrecadação e geram mais emprego e aumento da renda”, diz.

Para 2019, a aposta da diretora da Anjos do Brasil é positiva. “A agenda liberal do novo governo elevou o otimismo do mercado e deve contribuir para reduzir o efeito dessas deficiências”, acredita.

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