Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Startups de educação financeira miram investidores iniciantes

Fintechs guiam entrada de público geral no mercado financeiro ao propor investimentos a partir de R$ 1

Guilherme Bianchini, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2019 | 17h00

Especial para o Estado

Em constante crescimento, startups financeiras começam a impulsionar o surgimento de novos nichos no mercado. Entre as chamadas fintechs, que somam 697 no País, de acordo com a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), as mais conhecidas são os bancos digitais, como Nubank e Inter. Mas um novo modelo de negócios - voltado para quem tem pouca ou nenhuma experiência em investimentos - começa a atrair o interesse do público.

Plataformas como Diin e Warren trabalham desde os parâmetros mais básicos da educação financeira, para ensinar tanto consumidor quanto pequenos empreendedores a gerir o dinheiro, inclusive com investimentos a partir de R$ 1 - caso da Diin.

Muitos dos clientes na mira dessas fintechs - que cresceram 45% desde 2015, segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups) - são parte daqueles invisíveis ao sistema financeiro tradicional, mas que começam a dar os primeiros passos no mundo das finanças.

Foi também de olho nesse público que os jovens Amanda Magalhães, de 22 anos, e Lucas Borges, de 23, criaram a Oslo Investe no Rio de Janeiro. O projeto conta com dois investidores e já passou por três acelerações - incluindo uma de brasileiros vinculados à Universidade Harvard e ao MIT (Massachusetts Institute of Technology). O aplicativo começa a rodar em fase beta em novembro, e o lançamento oficial está previsto para o começo de 2020. 

"O mercado financeiro historicamente foi visto como algo inacessível, só para quem tem grana. Nosso trabalho é tirar essas barreiras de entrada e possibilitar que pessoas com poucos recursos também entrem. Temos a preocupação de falar a língua dessas pessoas”, conta Amanda.

Prós e contras do modelo de negócios

À semelhança de investidores tradicionais do mercado, que fazem a gestão de finanças para terceiros, essas startups lucram aplicando um porcentual sobre os valores investidos. Numa primeira etapa, o cliente faz uma transferência bancária para a fintech com o valor que deseja investir.

Após o montante ser aplicado e retornar com rendimento de 100% do CDI (títulos emitidos por instituições financeiras), as fintechs ficam com uma taxa de spread bancário que varia entre 10% (caso da Oslo) e 11% (Diin). No caso da Warren, a empresa recolhe uma taxa de 0,5% do valor total anual investido pelos usuários.

Para se diferenciar de investidores tradicionais, as fintechs largam na frente com aplicativos de educação financeira pelos quais os clientes podem acompanhar suas contas e saber onde e como investir.

É por conta dessa educação financeira que especialistas veem, no entanto, falhas no modelo, como aponta o professor de finanças do Insper Michael Viriato. “As startups estão aí pela falta de educação financeira. Na medida em que a pessoa ganha conhecimento, vai sair (da startup). Se essa fintech me ensina a andar sozinho, não vou precisar mais dela", afirma Viriato.

Para evitar esse cenário, a americana Warren, que chegou ao Brasil em 2016 e tem cerca de 100 mil clientes, aposta na experiência do usuário. À medida que os objetivos são alcançados, surgem novas opções para quem deseja continuar investindo, inclusive por conta própria. “É como um videogame”, conta André Gusmão, sócio da startup. “Temos de pensar na jornada do cliente. Vamos dando poderes sob demanda.”

Outra aposta para fidelizar o público é a falta de tempo do cliente para se dedicar aos investimentos. “Fazer investimento por conta própria é custoso. Você pode ser um bom médico, mas não ter tempo para isso. E dá para conseguir de forma automatizada com uma fintech. Se vai usar como porta de entrada para outras formas de investimento, que seja. Mas sempre vai ter gente entrando no mercado ou que queira manter esse tipo de serviço”, analisa Bruno Diniz, diretor do comitê de fintechs da Abstartups e professor de MBA da USP e do curso de fintechs da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Além da educação financeira, a Oslo empreende esforços em uma área pouco abordada: a economia comportamental. Dessa forma, a empresa ajuda o cliente a entender o estilo de vida que leva, para traçar objetivos de curto e médio prazos de olho na liberdade financeira. “Produzimos um conteúdo prático, com vídeos. Queremos que o usuário faça pequenos movimentos de forma consistente e constante”, conta Lucas Borges.

Para ampliar o raio de ação, a Diin, fundada em 2018, resolveu apostar também no segmento off-line. A meta é estabelecer parcerias com pequenas empresas que querem ajudar a educar seus próprios funcionários. “Estamos ensinando que o dinheiro parado não cresce. Aqui, começa a crescer”, relata a CEO, Mônica Saccarelli.

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