AMANDA PEROBELLI | ESTADAO CONTEUDO
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Startup cria programa de venda direta de alimentos orgânicos

Tecnologia busca aproximar a produção do campo ao cliente da cidade para tentar emplacar setor no País

Vivian Codogno, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2016 | 06h00

Bastou uma temporada em Bangladesh para que o então consultor em sustentabilidade Tomás Abrahão definisse a sua próxima empreitada quando voltasse ao Brasil: trabalhar em um negócio social que envolvesse pequenos agricultores, atividade que o país asiático e as terras tupiniquins possuem em comum, como a base produtiva e de abastecimento para além das grandes metrópoles.

De olho no mercado de alimentos orgânicos, Abrahão criou há cinco meses a plataforma Raízs, que pretende estreitar a relação entre pequenos produtores e o consumidor final informando o caminho do alimento da campo até a venda. A percepção de Abrahão vai ao encontro de empreendedores que veem na tecnologia a oportunidade de ampliar o consumo desse tipo de produto no Brasil. Eles apostam no modelo de venda direta para escoar a produção de pequenos agricultores certificados que não conseguem acesso aos mercados de grandes cidades como em São Paulo e também em Florianópolis (SC).

Por ser pulverizada e carecer de um banco de dados que centralize indicadores, a produção de orgânicos tem dificuldade para ganhar escala, apesar de ser crescente no País. A Coordenação de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) calcula que esse mercado deve movimentar até R$ 2,5 bilhões neste ano, crescimento entre 20% e 30% em relação a 2015. “Há uma falta de fontes de dados secundários muito grande”, comenta 0 Diretor do Conselho Brasileiro de Produção Orgânica Sustentável (Organis), Ming Chao Liu. “Em países como EUA, Canadá e Japão, foi possível notar um crescimento de empreendedores e de multinacionais entrando nesse segmento. Por aqui, esse movimento ainda não aconteceu”, pontua.

Na Raízs, os efeitos dessa deficiência são percebidos. “Para os produtores, vender é uma questão de acesso. E eles ainda não o têm”, comenta Tomás Abrahão. Com alcance de 39 produtores e mais de 300 produtos atualizados conforme a disponibilidade de colheita no campo, a Raízs deve faturar, até o fim do ano, R$ 600 mil com a venda e entrega de orgânicos na casa do cliente. Por enquanto, a startup atende apenas o Estado de São Paulo, com perspectivas de expansão para o Paraná e para a Bahia.

Comunicação. No sul do Brasil, a startup Plantepramim também aposta na comunicação entre produtor e consumidor para capitalizar com os orgânicos. O conceito se assemelha ao da Raízs. O consumidor pesquisa por produtos ou por produtores quais os itens ele deseja receber em sua casa. O caminho do campo até a casa pode ser acompanhado pelo site e a disponibilidade dos itens é divulgada semanalmente para os consumidores, e pode, claro, variar conforme a colheita.

“Partimos da ideia de valorizar os agricultores e trazer a produção para a cidade”, explica o engenheiro de TI e fundador da startup Rodrigo Coteppi. “É uma questão de confiança, as pessoas querem saber a procedência daquilo que consomem”, avalia o empreendedor ao comentar sobre o potencial do seu negócio. O portal criado por Coteppi acumula em seu catálogo mais de 180 produtos, entre eles cosméticos produzidos na região de Florianópolis, raio de atuação da empresa.

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